Gastos sob Lula crescem o dobro da arrecadação - Claudio Dantas
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Política

Gastos sob Lula crescem o dobro da arrecadação

Lula encomendou e Haddad entregou um projeto de destruição de riqueza
Lula encomendou e Haddad entregou um projeto de destruição de riqueza

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

Os gastos federais durante o terceiro mandato de Lula têm avançado em ritmo quase duas vezes maior que o da arrecadação. Segundo projeções do próprio governo divulgada pela Folha, o desequilíbrio pode levar a um colapso no funcionamento da máquina pública a partir de 2027.

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Desde o início do atual governo, a receita líquida da União subiu R$ 191,3 bilhões, alcançando R$ 2,318 trilhões em 2025. No mesmo período, as despesas aumentaram R$ 344 bilhões, somando R$ 2,415 trilhões. Os dados são da Instituição Fiscal Independente (IFI) e do Tesouro Nacional.

Se mantido esse cenário, o governo pode encerrar 2025 com déficit primário de 0,77% do PIB, incluindo precatórios. O crescimento da dívida pública é estimado em 12 pontos percentuais em quatro anos de gestão Lula.

Para tentar conter a deterioração fiscal, a equipe do ministro Fernando Haddad busca novas fontes de receita. Após recuo no aumento do IOF, o governo tenta tributar aplicações financeiras isentas e elevar a carga sobre apostas e fintechs.

Apesar do arcabouço fiscal aprovado em 2023, que impõe limite de crescimento dos gastos entre 0,6% e 2,5% acima da inflação, Lula tem utilizado estratégias que escapam dessa regra, como classificar gastos como despesas financeiras ou transferir recursos do Fundo Social para programas do BNDES, Minha Casa Minha Vida e outros.

Cálculo da economista Cecilia Machado aponta que esse tipo de gasto somará R$ 74 bilhões em 2025, contra R$ 25 bilhões em 2023. Marcos Mendes, especialista em contas públicas, estima que esses desembolsos já superam em R$ 59 bilhões a média dos anos anteriores.

Fora essas manobras, o aumento real do salário mínimo, vinculações obrigatórias em saúde e educação e a expansão de benefícios como o BPC têm elevado as despesas fixas. Só os pagamentos previdenciários passaram de R$ 912,2 bilhões para R$ 1,053 trilhão. O número de beneficiários do BPC saltou de 5,1 milhões para 6,3 milhões.

O diretor-executivo da IFI, Marcus Pestana, alerta que, mantido o cenário, o Brasil pode enfrentar um “shutdown” em 2027, sem recursos para despesas básicas. A própria equipe econômica reconhece o risco no Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2026.

Para Pestana, as medidas propostas pelo governo são paliativas. Já o economista Alexandre Manoel, ex-secretário da Fazenda, avalia que o fôlego arrecadatório se esgotou e que o Congresso deve apenas aprovar o mínimo necessário para viabilizar o ano eleitoral de 2026.

Outro ponto de pressão são as emendas parlamentares, que saltaram de R$ 35,6 bilhões para R$ 50,4 bilhões sob Lula. A expectativa é de mais gastos até as eleições, com aumento da dívida e risco de paralisação da máquina pública. Um ajuste mais severo poderá ser exigido em 2027, com mudanças em vinculações constitucionais e no reajuste do salário mínimo.

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