O presidente Lula afirmou que o governo precisa “brigar” pela decisão do Ministério da Fazenda de elevar o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para setores que, segundo ele, “ganham muito dinheiro”.
A declaração foi dada em entrevista ao podcast “Mano a Mano”, que veio ao ar nesta quinta-feira (19).
“Não dá para ceder toda hora”, disse Lula ao justificar a medida. O presidente citou plataformas de apostas esportivas — as chamadas bets — e fintechs como alvos da nova tributação. “O IOF do [Fernando] Haddad não tem nada demais”, afirmou.
Lula explicou que o aumento do imposto busca compensar cortes no orçamento. “Toda vez que a gente vai ultrapassar o arcabouço fiscal, a gente tem que cortar do orçamento. Então, se eu tiver que cortar R$ 40 bilhões do orçamento de obras de rua para a saúde, para a educação, eu tenho que ter uma compensação. O IOF é um pouco para fazer essa compensação.”
A medida foi publicada em decreto no dia 22 de maio. Após forte resistência no Congresso, o governo editou uma nova versão em 11 de junho, reduzindo alíquotas e promovendo ajustes em dispositivos sensíveis, como operações de crédito e investimentos estrangeiros.
“As bets pagam 12%, nós queremos que paguem 18%. Eles ganham bilhões e bilhões. Não querem pagar. As fintechs, hoje, são quase que uns bancos, não querem pagar. Então essa briga nós temos que fazer, gente, não dá para a gente ceder toda hora”, disse o presidente.
Na última segunda-feira (17), a Câmara aprovou o regime de urgência para um projeto que busca anular o novo decreto do IOF. O mérito da proposta ainda será analisado.
