Projeções para 2026 e 2027 seguem acima da meta do CMN, alerta o Banco Central
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou nesta quarta-feira (27) que a taxa básica de juros permanecerá em nível elevado por mais tempo. A justificativa, segundo ele, é a persistência da inflação acima da meta definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).
“A gente vem reforçando que essa taxa de juros deve permanecer por um período prolongado nesse patamar restritivo, justamente porque a gente está num cenário de ter descumprido a meta”, disse Galípolo.
O dirigente destacou que tanto as projeções do mercado quanto as da própria autoridade monetária indicam inflação acima da meta em 2026 e 2027.
“É por isso que o BC fez o movimento de interromper o ciclo de cortes, parar, iniciar o ciclo de altas até chegar a um patamar que consideramos restritivo com alguma segurança.”
Em participação no evento da Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores), Galípolo explicou que o Banco Central não pode se limitar a olhar os dados passados, mas precisa antecipar cenários. Para exemplificar, recorreu a uma metáfora.
“A gente está olhando a inflação pelo retrovisor, porém, eu tenho que dirigir o carro olhando o parabrisa, e então eu olho para a meta em um horizonte relevante. E como está a meta para os próximos 18 meses? Quando olhamos para as projeções de mercado, as projeções para 2025 estão fora da meta.”
Apesar dos juros elevados, Galípolo ressaltou que a economia mostra resistência, especialmente no mercado de trabalho. Segundo ele, “estamos com o nível de desemprego mais baixo da série histórica e estamos com o nível mais alto de renda do trabalhador”.
Ele acrescentou que essa resiliência é um dos fatores que sustentam a demanda. “Mesmo com a taxa restritiva, a gente segue mostrando resiliência no mercado de trabalho e é isso o que está puxando a demanda mais forte.”
