O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, defendeu a manutenção do sigilo de até oito anos sobre informações relacionadas à liquidação do Banco Master. Em depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, no Senado Federal, nesta quarta-feira (08), ele afirmou que a medida segue normas estabelecidas e não representa exceção no sistema financeiro.
Segundo Galípolo, o prazo de confidencialidade está previsto em uma resolução de 2018, que diferencia instituições financeiras por porte.
“Antes, o sigilo era de dez anos para todos os bancos. Agora, para os maiores permanece em dez anos, enquanto para os menores é de oito anos”, afirmou.
O presidente do Banco Central declarou que mudanças na regra exigem debate formal.
“Se uma regra é considerada inadequada, ela deve ser discutida e alterada por quem tem competência. Descumpri-la não é o caminho”, disse.
Galípolo afirmou que o sigilo busca evitar questionamentos futuros sobre decisões técnicas. Segundo ele, processos de liquidação costumam gerar disputas judiciais prolongadas.
Ele citou que tanto o Banco Central quanto o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) enfrentam ações bilionárias movidas por acionistas de instituições que passaram por intervenção.
A oitiva foi solicitada pelo senador Eduardo Girão (Novo-CE), com base em questionamentos sobre a atuação do Banco Central no caso Master e sobre reunião realizada em 2024 entre Galípolo, o Lula e o empresário Daniel Vorcaro.
O caso ganhou repercussão após a Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que investiga suspeitas de irregularidades envolvendo o Banco Master e a atuação de agentes públicos.
A CPI do Crime Organizado foi instalada em novembro de 2025 para apurar a atuação de organizações criminosas, incluindo possíveis conexões com o sistema financeiro.
