As frentes parlamentares Católica e Evangélica no Congresso Nacional reagiram ao desfile da Acadêmicos de Niterói que homenageou o Lula no último domingo (15). A apresentação incluiu uma ala intitulada “neoconservadores em conserva”.
Em nota, a Frente Parlamentar Evangélica afirmou: “É inadmissível que o direito à manifestação cultural seja distorcido para promover o escárnio contra a fé cristã e o deboche aberto aos valores conservadores que sustentam a nossa sociedade”.
O grupo, que reúne 210 deputados e 26 senadores, informou que deve acionar a Procuradoria-Geral da República (PGR) e o Judiciário para a “responsabilização cível e criminal dos envolvidos”. Também declarou que “a liberdade de expressão não é um salvo-conduto para o vilipêndio religioso nem para a perseguição ideológica institucionalizada”.
A Frente Parlamentar Católica da Câmara, composta por 194 deputados, afirmou haver “indícios de que o desfile tenha ultrapassado os limites estabelecidos pela legislação ao tratar de convicções religiosas”. O grupo cobrou a atuação dos órgãos competentes para a “devida apuração dos fatos e eventual responsabilização, caso confirmadas irregularidades”.
Em nota, a frente declarou: “A fé cristã integra a identidade histórica e social do Brasil e inspira valores que estruturam milhões de famílias brasileiras. Representações que possam ser interpretadas como desqualificação ou ridicularização dessas convicções não contribuem para o ambiente de respeito que a democracia exige”.
As duas frentes destacaram ainda que o desfile contou com recursos públicos. As 12 escolas do Grupo Especial do Rio receberam R$ 1 milhão cada, por meio de acordo entre a Embratur e a Liesa.
Segundo justificativa oficial da Acadêmicos de Niterói, a alegoria buscou retratar “um grupo que atua fortemente em oposição a Lula, votando contra a maioria das pautas defendidas por ele”. A ala apresentou fantasias de pessoas caracterizadas em latas de alimentos em conserva.
Parlamentares da oposição já acionaram a PGR na segunda-feira (16). A OAB-RJ afirmou que a apresentação “configurou prática de preconceito religioso dirigido aos cristãos”.
