O Ministério Público Federal (MPF) denunciou 13 ex-executivos e ex-funcionários da Americanas por supostas fraudes na companhia, que teriam causado um prejuízo estimado em R$ 25 bilhões. A acusação foi formalizada após a Polícia Federal (PF) indiciar os envolvidos.
Entre os denunciados estão: Miguel Gutierrez, ex-CEO da Americanas, Anna Saicali, ex-CEO da B2W, e os ex-vice-presidentes Thimoteo Barros e Marcio Cruz. A lista inclui ainda os ex-diretores Carlos Padilha, João Guerra, Murilo Correa, Maria Christina Nascimento, Fabien Picavet, Raoni Fabiano, Luiz Augusto Saraiva Henriques, Jean Pierre Lessa, Santos Ferreira e Anna Christina da Silva Sotero.
Todos respondem por crimes como associação criminosa, falsidade ideológica e manipulação de mercado. Além disso, nove deles foram denunciados por uso de informação privilegiada.
Segundo o MPF, Gutierrez teria sido o principal articulador do esquema fraudulento, sendo responsável pelo planejamento, ordenação e execução das irregularidades.
“Enquanto comandava as Lojas Americanas, Gutierrez estava ciente de todas as fraudes praticadas, inclusive sugerindo ele mesmo alterações nos balanços que seriam anunciados“, diz o MPF na denúncia.
O executivo trabalhou na Americanas por quase 30 anos, ocupando o cargo de CEO por duas décadas.
A denúncia aponta que, ao menos 28 manobras fraudulentas foram realizadas sob sua gestão para inflar artificialmente a cotação e o valor dos papéis da Americanas, com o objetivo de obter vantagens indevidas. As irregularidades teriam ocorrido entre fevereiro de 2016 e dezembro de 2022, período que antecedeu sua saída da empresa.
O MPF também apresentou como evidência trocas de e-mails entre executivos da companhia, nos quais discutiam ajustes fraudulentos nos resultados financeiros e comparavam dados reais com números manipulados divulgados ao mercado.
Além disso, conversas pelo WhatsApp entre os denunciados indicariam estratégias para tentar ocultar informações das auditorias.
“Não resta nenhuma dúvida que Miguel Gutierrez tinha pleno conhecimento das fraudes praticadas dentro do grupo Americanas. O arquivo não deixa nenhuma dúvida sobre a origem e extensão dos problemas enfrentados pelo grupo, e que ele sabia de todas as manobras fraudulentas praticadas, incluindo as verbas fictícias de VPC [Verba de Propaganda Cooperada] e as operações não declaradas de risco sacado”, afirma o MPF.
