Em entrevista exclusiva ao ALive nesta quarta-feira (25), o relator da CPMI do INSS, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), afirmou que “muitas forças ocultas e poderosas” não querem a prorrogação da comissão e que pode recorrer ao STF para estender os trabalhos, previstos para terminar no final do mês.
Segundo Gaspar, a comissão já possui “número de assinaturas, prazo definido, objeto também já lá devidamente exposto”, mas ainda não há sinal de que será prorrogada. Com a possível negativa, os parlamentares acordaram entre si em acionar a Corte, de acordo com ele.
Um pedido formal de prorrogação já foi protocolado no Senado e depende de decisão do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que ainda não se manifestou.
“Não há por que não ter uma prorrogação, mas nós sabemos como funciona o Brasil”, afirmou o relator da CPMI do INSS durante o programa do jornalista Claudio Dantas. “Da minha parte, eu estarei preparado para apresentar o relatório no final de março, mas não será o relatório que eu espero apresentar”.
Gaspar explicou que seu objetivo é apresentar um relatório completo, após dois meses adicionais de investigação. Segundo ele, é necessário se “aprofundar diante do roubo bilionário praticado, tanto pelas associações criminosas como por bancos que possivelmente fraudaram também os descontos dos consignados de aposentados e pensionistas”.
O deputado também disse que, atualmente, a CPMI tem a “missão” de investigar os consignados e criticou o fato de que a base do governo “blindou” bancos até o momento. De acordo com Gaspar, os parlamentares pró-Lula dizem que o “sistema financeiro é perverso”, mas blindaram o C6, a Crefisa, o Santander e o PicPay na comissão.
“Olha a vergonha! Essa blindagem é a blindagem do sistema financeiro, praticada e liderada pelo governo Lula por meio da sua base”, criticou. “E o próprio governo… nenhum parlamentar da base, nenhum parlamentar do PT, assinou para a prorrogação da CPMI”.
Segundo Gaspar, a sessão de amanhã da comissão, que começa às 9h, será importantíssima, pois, na primeira parte, está prevista a votação do pedido de quebras de sigilos bancário e fiscal de Lulinha, envolvido na Farra do INSS por sua ligação com esquemas de Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”.
“O país está podre, está precisando ser resetado, infelizmente essa é a verdade. Eu não sei como o povo ainda não foi às ruas para exigir que esse país através dos poderes constituídos seja decente”, afirmou.

