Caso remete a acusações de divulgação de dados em livro polêmico
O FBI realizou nesta sexta-feira (22) buscas na residência do ex-conselheiro de Segurança Nacional de Donald Trump John Bolton como parte de uma investigação sobre o manuseio irregular de documentos confidenciais. A operação foi revelada por uma fonte do governo à agência Associated Press e ainda estava em andamento até a última atualização.
O presidente Donald Trump criticou John Bolton, chamando-o de “um canalha” e “um cara nada inteligente”, mas insistiu que não sabe “nada sobre” as invasões do FBI na manhã de sexta-feira na casa e no escritório de Bolton.
Bolton atuou no primeiro mandato de Trump por 17 meses, em 2019, e rompeu com o presidente após divergências sobre a política externa em relação ao Irã, Afeganistão e Coreia do Norte. Depois de deixar o cargo, passou a criticar o republicano e se envolveu em polêmica com a publicação do livro The Room Where it Happened (“A Sala Onde Aconteceu”), acusado por aliados de Trump de divulgar informações sigilosas.
Embora o Departamento de Justiça dos EUA tenha avaliado o caso, a investigação foi arquivada em 2021, durante o governo do ex-presidente Joe Biden.
O diretor da agência, Kash Patel, aliado de Trump, escreveu nas redes sociais: “NINGUÉM está acima da lei… Agentes do FBI em missão”.
A Procuradora-Geral Pam Bondi reforçou: “A segurança dos Estados Unidos não é negociável. A justiça será buscada. Sempre”.
Apesar da ação, a Associated Press destacou que Bolton não foi detido nem acusado de qualquer crime até o momento.
Em entrevista ao programa “Meet the Press”, da NBC News, o vice-presidente JD Vance disse que a apuração ainda está em fase inicial. Segundo ele, o inquérito envolve, em parte, documentos classificados e também uma “preocupação mais ampla” em relação a Bolton. O vice-presidente ressaltou que, caso não seja constatado crime, não haverá acusação, mas que, se houver, “o embaixador Bolton terá seu dia no tribunal”.
Ao ser questionado se Bolton estava sendo investigado por causa de suas críticas a Trump, Vance respondeu: “não, de forma alguma”. Ele acrescentou que, se esse fosse o motivo, “nós simplesmente abriríamos processos a esmo”.
Em seu primeiro dia de retorno à Casa Branca este ano, o presidente revogou autorizações de segurança de mais de 40 ex-oficiais de inteligência, incluindo a de Bolton.
