“Nunca tinha visto um homem no banheiro das mulheres”, afirmou a funcionária
Uma faxineira e um administrador da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) estão sendo processados por suposto racismo social e transfobia após estudante que se identifica como mulher trans denunciá-los por não poder usar o banheiro feminino. O caso ocorreu em 14 de outubro de 2022, no campus da universidade, e pode resultar em até cinco anos de prisão para os envolvidos.
Odara Moraes se identifica como mulher e diz que foi confrontada por uma funcionária terceirizada, identificada como Luiza, ao entrar no banheiro feminino da UFPB. Segundo relato da própria funcionária ao site Reduxx, ela estava atuando em outro setor do campus naquele dia e entrou no banheiro acompanhada de uma colega quando se deparou com Moraes, que, segundo ela, usava “um top cropped e uma mini saia”.
“Eu apenas informei, com educação, que ele não estava no banheiro correto. Não quis ofender ninguém. Era um espaço feminino, e eu, como mulher, tenho o direito de defender esse espaço. Nunca tinha visto um homem no banheiro das mulheres”, afirmou Luiza.
A abordagem foi imediatamente rebatida por Moraes, que começou a filmar a situação, acusando a funcionária de “transfobia” e exigindo tratamento com pronomes femininos. Após saber que Luiza era terceirizada, Moraes exigiu falar com a direção da universidade. A funcionária, sem saber como agir, o levou até o administrador Luiz Adripaulo.
Na sala, Adripaulo tentou acalmar os ânimos, mas Odara Moraes afirmou que acionaria a polícia e apresentaria denúncia formal por transfobia. O administrador então perguntou se Moraes possuía documentos legais que comprovassem mudança de gênero, mas teve como resposta que sua “palavra bastava”. Ao ter um tratamento no masculino, Moraes gritou que estava sofrendo discriminação e saiu do local.
Quatro dias depois, tanto Luiza quanto Adripaulo foram notificados pela polícia. Os dois passaram a ser formalmente investigados pelo crime de transfobia, criminalizado pelo STF no Brasil.
“Em 41 anos de vida, nunca tinha ido a uma delegacia. Fiquei preocupada, pensei nos meus filhos, na minha família. Nunca imaginei passar por algo assim”, disse Luiza.
