Farra do INSS: Camisotti ligou-se a fintech do PCC
Brasília, Domingo, 05 de julho de 2026
Política

Farra do INSS: empresário usou fintech e doleiro do PCC

Maurício Camisotti e Nelson Wilians em evento do grupo Total Health. Maurício Camisotti, preso em 12 de setembro, controlava três entidades envolvidas na “farra” de descontos indevidos sobre aposentadorias do INSS.
Maurício Camisotti e Nelson Wilians em evento do grupo Total Health. Maurício Camisotti, preso em 12 de setembro, controlava três entidades envolvidas na “farra” de descontos indevidos sobre aposentadorias do INSS.

Compartilhe em

Foto do autor

Por Marília Rodrigues

Coaf rastreou R$ 1,2 milhão em operações de Maurício Camisotti com a BK Bank e a Guardiões Câmbio

A Polícia Federal aponta que Maurício Camisotti, preso em 12 de setembro, controlava três entidades envolvidas na “farra” de descontos indevidos sobre aposentadorias do INSS. Relatórios do Coaf identificam R$ 1,2 milhão em operações do empresário com uma fintech e uma casa de câmbio associadas a investigados por ligação com o PCC.

✅ Siga o canal do Claudio Dantas no WhatsApp

Segundo os documentos financeiros, Camisotti transferiu R$ 568 mil para a Guardiões Câmbio e Turismo, cujo responsável é acusado pelo Ministério Público de atuar como laranja em lavagem ligada a hotéis da Cracolândia. Há ainda um repasse de R$ 518 mil do BK Bank ao empresário — fintech investigada por fraudes e lavagem no setor de combustíveis. A PF descreve o BK Bank como um “banco paralelo”, que operava por meio de “conta bolsão” e recebeu mais de 10,9 mil depósitos em espécie (R$ 61 milhões) entre 2022 e 2023.

Camisotti e o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, foram presos na mesma operação. A investigação atribui às entidades ligadas a Camisotti faturamento superior a R$ 1 bilhão desde 2021 e repasses de ao menos R$ 25,5 milhões ao lobista. A defesa de Camisotti não respondeu até a publicação.

A Operação Sem Desconto, deflagrada por PF e CGU em abril, apura uma “indústria” de cobranças não autorizadas que pode ter alcançado R$ 6,3 bilhões entre 2019 e 2024; parte dos valores já foi ressarcida a 1,6 milhão de beneficiários (R$ 1,084 bilhão). A CPMI do INSS marcou para quinta (25) a oitiva do “Careca do INSS”.

Escreva seu e-mail para receber bastidores e notícias exclusivas

Não fazemos spam! Leia nossa política de privacidade para mais informações.

Publicidade