Fachin analisará permanência de Toffoli na relatoria do caso Master
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Justiça

Fachin analisará permanência de Toffoli na relatoria do caso Master

PF encontrou menções ao ministro em celular de Daniel Vorcaro e comunicou a Presidência do STF

Fachin e Toffoli. Foto Antonio Augusto/STF
Foto: Antonio Augusto/STF

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Por Redação

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, terá de se manifestar sobre a permanência do ministro Dias Toffoli na supervisão do inquérito que apura fraudes envolvendo o Banco Master.

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A movimentação ocorre após a Polícia Federal localizar menções a Toffoli no celular do empresário Daniel Vorcaro, dono da instituição financeira.

A perícia identificou referências ao ministro nos arquivos do aparelho. A informação foi divulgada inicialmente pelo UOL. A PF comunicou o presidente do STF sobre o conteúdo encontrado.

Em última instância, caberá a Fachin decidir se há conflito de interesse e se Toffoli poderá permanecer na relatoria do caso. Até o momento, o presidente da Corte não se manifestou publicamente.

Segundo apuração da imprensa, as mensagens analisadas pela PF conteriam menções a pagamentos ao ministro. O primo de Vorcaro, Fabiano Zettel, também investigado, aparece em diálogos fazendo referências a esses repasses.

Após ser informado, Fachin solicitou que Toffoli se manifestasse sobre as menções encontradas no celular de Vorcaro.

A atuação do ministro já vinha sendo questionada. Toffoli determinou grau máximo de sigilo no inquérito e ordenou que provas colhidas na segunda fase da Operação Compliance Zero ficassem acauteladas. Posteriormente, encaminhou o material à Procuradoria-Geral da República e designou quatro peritos para atuar na análise.

Também houve críticas após viagem do ministro ao Peru, na final da Copa Libertadores, em aeronave de advogado que atua no caso Master. A situação ganhou novos contornos com a revelação de que familiares de Toffoli, sócios do resort Tayayá, mantinham relação com fundos de investimento ligados a Vorcaro.

No dia 29 de janeiro, Toffoli divulgou nota rebatendo as críticas. Nos bastidores, descartava pedir afastamento.

Em nota divulgada na noite de quarta-feira (11), o gabinete do ministro afirmou:

“O gabinete do ministro Dias Toffoli esclarece que o pedido de declaração de suspeição apresentado pela Polícia Federal trata de ilações. Juridicamente, a instituição não tem legitimidade para o pedido, por não ser parte no processo, nos termos do artigo 145 do Código de Processo Civil. Quanto ao conteúdo do pedido, a resposta será apresentada pelo ministro ao presidente da Corte”.

A Polícia Federal não formalizou pedido de suspeição, mas informou à Presidência do STF a existência de arquivos que, segundo avaliação preliminar, poderiam indicar indícios de irregularidades.

A defesa de Daniel Vorcaro também se manifestou. Em nota, os advogados afirmaram ver com preocupação o que classificaram como vazamento seletivo de informações da investigação. Segundo a defesa, a divulgação de trechos da apuração gera “constrangimentos indevidos”, favorece ilações e prejudica o pleno exercício do direito de defesa.

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