O governo dos Estados Unidos demonstrou interesse em realizar uma investigação detalhada sobre a influência estratégica da China no setor agrícola brasileiro. O foco da análise recai sobre os potenciais impactos de investimentos ou controle chinês na cadeia de suprimentos, no mercado global e na segurança alimentar.
A informação, divulgada pelo jornal Valor Econômico, está contida no projeto de lei Intelligence Authorization Act para o exercício fiscal de 2026. A proposta, que estabelece as diretrizes orçamentárias para agências de inteligência americanas como a CIA e a NSA, dedica uma seção específica ao Brasil, na parte dedicada à China.
Essa inclusão de um projeto de lei orçamentária voltado para questões de inteligência é uma novidade. Embora o Brasil já tenha sido alvo de espionagem da NSA no passado, esta é a primeira vez que o país é citado em um contexto legislativo deste tipo.
O projeto foi apresentado pelo senador republicano Tom Cotton, aliado do presidente Donald Trump, e já foi aprovado pela Comissão de Inteligência do Senado. A expectativa é que a proposta seja votada no plenário, siga para a Câmara e seja sancionada em menos de dois meses.
Conforme a proposta, a diretora nacional de inteligência, Tulsi Gabbard, terá um prazo de 60 dias após a promulgação da lei para elaborar um relatório sobre a extensão dos investimentos chineses no setor agrícola brasileiro. Esse relatório, que poderá ter anexos sigilosos, será apresentado às comissões de inteligência do Congresso.
A China é o principal parceiro comercial do Brasil desde 2009, mas só compra commodities; enquanto os EUA seguem isolados como maior investidor externo no país.
