Documento passa a ser usado como instrumento de negociação, punição e incentivo econômico
Os Estados Unidos alteraram normas para emissão de vistos nos últimos meses, com novas exigências e aumento do custo do documento. As mudanças atingem viajantes de diversos países, incluindo o Brasil.
No mês passado, Washington cancelou os vistos do ministro Alexandre de Moraes, de familiares e de aliados no STF. Poucos dias depois, o governo assinou em Buenos Aires um acordo com o presidente argentino Javier Milei para iniciar o processo de isenção do documento para cidadãos da Argentina.
Pelo acerto, a Argentina deverá atender a critérios ligados à segurança nacional. Se as exigências forem cumpridas, o país será incluído no programa de isenção.
Cancelamentos e punições
A Casa Branca também tem usado o visto como forma de punição. Além de Moraes, foram atingidos servidores ligados ao programa Mais Médicos e familiares do ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
O Departamento de Estado anunciou ainda restrições de entrada para membros da Organização para a Libertação da Palestina (OLP) e da Autoridade Nacional Palestina (ANP), alegando descumprimento de compromissos diplomáticos e apoio ao terrorismo.
Antes disso, já havia revogado vistos de dirigentes cubanos, incluindo o ditador Miguel Diáz-Canel, ministros e seus familiares.
Entre as medidas recentes está a criação de um caução de até US\$ 15 mil para países com altos índices de imigração ilegal. Inicialmente, a regra atinge dois países africanos, mas pode ser expandida.
Outro critério passa a considerar “caráter moral” e histórico de atividades antiamericanas, terroristas ou antissemitas na análise de concessão.
Em junho, Trump lançou o “Trump Card”, programa que concede residência permanente a estrangeiros que pagarem US$ 5 milhões. O presidente afirmou que espera vender mais de um milhão de unidades. “Pessoas ricas virão para este país comprando o cartão. Serão bem-sucedidas, gastarão muito dinheiro, pagarão muitos impostos e empregarão muita gente”, declarou.
O governo anunciou no dia de ontem (21) a revisão de vistos de mais de 55 milhões de estrangeiros que já possuem o documento. Quem tiver violado regras de entrada ou permanência terá o visto revogado e poderá ser deportado.
No mesmo dia, o secretário de Estado, Marco Rubio, informou a suspensão da emissão de vistos de trabalho para motoristas de caminhão comercial. Segundo ele, o aumento no número de estrangeiros dirigindo veículos pesados coloca em risco vidas nas estradas e prejudica caminhoneiros americanos.
