Os Estados Unidos e a Rússia exigiram que o Conselho de Segurança da ONU convoque uma reunião emergencial para discutir o aumento da violência na Síria. O encontro foi solicitado para esta segunda-feira (10). O gabinete do presidente interino sírio, Ahmad al-Sharaa, anunciou a criação de um comitê independente para apurar os confrontos. As informações são da Reuters.
Segundo o Observatório Sírio para os Direitos Humanos, mais de 1.000 pessoas já morreram desde a queda de Bashar al-Assad. Desse total, 745 eram civis, 125 membros das forças de segurança do novo regime e 148 combatentes leais a Assad. Os dados foram atualizados no sábado (8).
O chefe do Observatório, Rami Abdulrahman, afirmou no domingo (9) que o número de mortes é um dos mais altos desde o ataque químico de 2013, ordenado pelo governo Assad, que matou 1.400 pessoas em um subúrbio de Damasco. O episódio foi um marco da brutalidade do antigo regime, que se manteve no poder por 24 anos.
O conflito começou com um ataque, na última quinta-feira, de apoiadores de Assad às forças de segurança onde está localizada o berço da comunidade muçulmana alauíta. O país é formado por várias comunidades, como sunitas, curdos, cristãos e drusos. Os alauítas são um ramo do islamismo xiita e representam 9% da população síria.
O governo de Assad caiu em 8 de dezembro de 2024, após a tomada de Damasco por combatentes do HTS (Hayat Tahrir al-Sham). O grupo é sucessor da Frente al-Nusra, criada em 2011 como braço da Al Qaeda no Iraque, com forte orientação jihadista.
Ahmad al-Sharaa responsabilizou diretamente os apoiadores do antigo regime e “potências estrangeiras” pela tentativa de desestabilizar o país. “Neste momento crítico, nos encontramos diante de um novo perigo: tentativas dos remanescentes do antigo regime e seus apoiadores estrangeiros de incitar novos conflitos e arrastar nosso país para uma guerra civil, com o objetivo de dividi-lo e destruir sua unidade e estabilidade”, afirmou o presidente interino em discurso transmitido pela TV estatal.
Antes disso, o principal comandante curdo da região já havia atribuído a escalada da violência a facções islâmicas ligadas à Turquia. Ancara não respondeu às acusações. Os curdos, por sua vez, enfrentam uma batalha à parte pelo controle de parte do território sírio.
O governo Lula, até o momento, mantém silêncio sobre a crise, seguindo a linha ambígua de sua política externa, que frequentemente relativiza regimes autoritários em nome de alianças ideológicas.
