EUA cancelam evento militar com Brasil
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
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EUA cancelam evento militar com Brasil

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Por Redação

Decisão é interpretada como reflexo do atrito entre Trump e o governo brasileiro

Os Estados Unidos cancelaram um evento que seria realizado em parceria com a Força Aérea Brasileira e sinalizaram a possibilidade de não participar da Operação Formosa, principal exercício da Marinha. A decisão acendeu alerta no Ministério da Defesa, que tenta blindar a cooperação militar dos efeitos da crise entre os governos Lula (PT) e Donald Trump.

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O Comando Sul dos EUA planejava organizar, junto com a FAB, a Conferência Espacial das Américas, prevista para ocorrer em Brasília de 29 a 31 de julho. “O evento foi cancelado por decisão dos Estados Unidos no dia 23 de julho”, informou a FAB em nota. O Southcom não se manifestou.

Seria a quarta edição da conferência, voltada à cooperação espacial em áreas militares, econômicas e de telecomunicações. No ano passado, ocorreu em Miami, com a participação de dez países, incluindo Brasil, Argentina, Canadá e México.

O cancelamento é interpretado como reflexo do atrito entre Trump e o governo brasileiro. O presidente americano acusou Lula e o STF de promoverem uma “caça às bruxas” contra Jair Bolsonaro, réu no processo da trama golpista. Washington ainda aplicou sanções financeiras ao ministro Alexandre de Moraes, cassou vistos de magistrados e funcionários ligados ao Mais Médicos e impôs sobretaxa de 50% a produtos brasileiros.

Na frente militar, cresce a incerteza sobre a Operação Formosa, que mobiliza cerca de 2.000 militares, 100 viaturas e oito helicópteros. Desde 2023, os EUA enviam tropas para o exercício, em cooperação crescente. Em 2024, 56 militares americanos participaram, ao lado de tropas chinesas. Neste ano, os fuzileiros navais dos EUA não responderam ao convite, enquanto a China já informou que não participará.

Setores do próprio governo Lula também resistem à presença americana em Formosa, alegando ser inoportuno realizar exercícios conjuntos enquanto Washington mantém sanções contra o Brasil. Militares da Marinha veem, ainda, reação ao fortalecimento dos laços militares entre Brasil e China, que desde o ano passado envia tropas a exercícios no país. O governo brasileiro decidiu ampliar a representação em Pequim, com o envio de um oficial-general para a embaixada.

Apesar do cancelamento e da incerteza na Formosa, oficiais-generais afirmam que não há rompimento na cooperação militar. Em julho, cargueiros americanos participaram do Exercício Conjunto Tápio em Campo Grande (MS). Para novembro, segue em planejamento a Operação Core 2025, entre Exército brasileiro e forças dos EUA, com foco em padronizar procedimentos em missões de paz.

Os gestos de distanciamento vêm após a visita ao Brasil do chefe do Comando Sul, almirante Alvin Holsey, marcada por mal-estar. Os EUA solicitaram visita a uma base do Exército em Rio Branco (AC), pedido que gerou estranhamento. Após recusa brasileira em alterar o itinerário para Manaus, a agenda do almirante ficou restrita a Brasília.

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