O presidente Lula criticou publicamente o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e defendeu o Brasil de “inverdades” em um discurso durante a inauguração da fábrica da montadora chinesa GWM, em Iracemápolis (SP), nesta sexta-feira (15).
Lula rebateu os argumentos usados por Trump para justificar o tarifaço de 50% sobre os produtos brasileiros, contestando informações sobre balança comercial, direitos humanos e a situação do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Na quinta-feira (14), o republicano disse a jornalistas que o Brasil “tem sido um parceiro comercial horrível em termos de tarifas. Um dos piores países da Terra para isso”. Ele também citou Bolsonaro, afirmando que o ex-presidente sofre uma “execução política”.
Sem citar Trump nominalmente, Lula expressou sua indignação com o teor da carta enviada em julho para anunciar a taxação, que ele considerou um desrespeito por ter sido publicada no portal do governo americano.
“Eu não posso admitir que um presidente de um país do tamanho dos Estados Unidos possa contar a quantidade de inverdades que ele tem contado sobre o Brasil”, disse Lula. “O Brasil não é um país rico, o Brasil não tem um PIB que tem os americanos, o Brasil não tem o PIB que tem a China, mas nós temos um povo que merece respeito”, completou.
O petista também contestou a balança comercial citada na carta de Trump, que alegava um déficit americano na relação com o Brasil. Segundo Lula, nos últimos 15 anos, os Estados Unidos tiveram um superávit de US$ 410 bilhões.
Ele ainda comparou o comércio com a China, que hoje é de US$ 160 bilhões, contra US$ 80 bilhões com os Estados Unidos, destacando a importância da parceria com o país asiático.
Em relação à política e aos direitos humanos, Lula defendeu a democracia brasileira e a legalidade do julgamento de Bolsonaro.
“Nós temos democracia, aqui no Brasil nos temos direitos humanos, e o ex-presidente que está sendo julgado. Ele não está sendo julgado por nenhuma acusação da oposição, de nenhum deputado, ele está sendo julgado por delação de seus pares em função de uma tentativa de golpe que ele tentou dar em 8 de janeiro de 2023″, afirmou.
Lula ainda disse que o supoto plano de golpe de 8 de janeiro previa “matar a mim, matar ao Alckmin e matar o presidente da Corte eleitoral que está julgando ele”.
Em menos de 24 horas, essa é a segunda vez que o petista se pronuncia sobre a última fala de Trump. Na quinta, horas depois da entrevista do americano, Lula criticou as declarações e afirmou que o Brasil “não vai ficar de joelho” para os EUA.
