EUA articulam possível denúncia contra Delcy Rodríguez
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
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EUA articulam possível denúncia contra Delcy Rodríguez

Investigação conduzida por promotores em Miami amplia tensão diplomática

Donald Trump
Photo: White House

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Por Redação

O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Republicano), avalia a apresentação de uma acusação criminal contra a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, em meio a uma estratégia mais ampla para consolidar influência sobre Caracas após a queda do ex-ditador Nicolás Maduro.

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A informação foi divulgada pela agência de notícias Reuters, com base em relatos de quatro pessoas a par das tratativas.

De acordo com as fontes, procuradores federais nos Estados Unidos reuniram elementos que poderiam sustentar acusações de corrupção e lavagem de dinheiro contra Rodríguez. O material estaria sendo elaborado pelo gabinete do procurador federal em Miami ao longo dos últimos dois meses. A apuração envolveria supostas irregularidades relacionadas à estatal petrolífera PDVSA entre 2021 e 2025.

Embora a denúncia ainda não tenha sido formalizada nem submetida a um grande júri — etapa necessária para que o processo avance —, aliados da presidente interina teriam sido informados de que o caso poderia ser levado adiante caso Caracas deixe de atender a demandas feitas por Washington.

O Departamento de Justiça norte-americano não comentou o conteúdo da reportagem. Após a divulgação do tema em um podcast da agência, o vice-procurador-geral Todd Blanche classificou a informação como “completamente falsa” em publicação na rede X. Em resposta, a Reuters declarou que mantém a apuração.

Lista de nomes e possível extradição

Segundo as mesmas fontes, autoridades dos EUA também teriam apresentado a Rodríguez uma relação com pelo menos sete ex-integrantes do alto escalão do governo venezuelano e empresários ligados ao chavismo. A expectativa americana seria que esses nomes fossem presos ou mantidos sob custódia na Venezuela para eventual extradição.

Entre os citados estariam o empresário colombiano Alex Saab, apontado como operador financeiro do antigo governo, e o magnata da comunicação Raul Gorrín. Ambos já enfrentaram ou enfrentam acusações nos Estados Unidos relacionadas a esquemas de corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo contratos públicos e a indústria do petróleo.

Saab chegou a ser preso em Cabo Verde em 2020, a pedido de Washington, e posteriormente extraditado. Ele foi libertado em 2023, durante o governo Biden, em uma troca de prisioneiros. Recentemente, segundo a Reuters, teria voltado a ser detido por autoridades venezuelanas. Já Gorrín, dono da emissora Globovisión, também teria sido alvo de medidas internas.

A legislação venezuelana, no entanto, impõe restrições à extradição de cidadãos nacionais, o que pode dificultar qualquer tentativa de envio de investigados aos Estados Unidos.

Relação pública de cooperação

As movimentações judiciais contrastam com o discurso público adotado por Trump nas últimas semanas. Em declarações recentes, o presidente americano afirmou que a relação com o novo governo venezuelano é “excelente” e destacou avanços na cooperação energética. Em postagem na rede Truth Social, mencionou que o petróleo venezuelano “está começando a fluir” e que a parceria trará benefícios econômicos.

Rodríguez também sinalizou disposição ao diálogo. Em entrevista à NBC News, afirmou ter sido convidada a visitar os Estados Unidos e disse avaliar a possibilidade, condicionando a viagem ao avanço de acordos bilaterais.

Apesar do tom conciliador, a líder interina criticou, em discurso a trabalhadores do setor petrolífero no estado de Anzoátegui, o que chamou de interferência externa na política venezuelana.

“Chega de ordens de Washington”, declarou na ocasião.

Rodríguez assumiu o comando do país após a captura de Maduro em janeiro, em uma operação conduzida por forças norte-americanas. O ex-presidente foi levado a Nova York, onde responde a acusações de narcoterrorismo e tráfico de drogas. Ele nega as imputações e aguarda julgamento sob custódia.

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