Durante o programa ALive desta segunda-feira (09), o cientista político Leonardo Barreto afirmou que o presidente do PSD e um dos líderes do Centrão, Gilberto Kassab, estruturou uma estratégia perfeita para as eleições de 2026 para os partidos do bloco.
Segundo Barreto, a estratégia se baseia em “não exigir dos seus diretórios nos estados que apoiem o seu próprio candidato” do partido. O PSD ainda não definiu seu presidenciável para 2026, mas está entre Ratinho Jr., Ronaldo Caiado e Eduardo Leite.
“É como se você fosse namorar uma pessoa e dissesse para ela: ‘não, eu sou fiel, menos às terças e quintas'”, afirmou o cientista político, classificando o caso como “muito curioso”.
Barreto explicou que “existe uma lógica dentro do trabalho do Kassab”: “já que o meu objetivo é construir base parlamentar, eu tenho que deixar os dirigentes locais fazerem as conexões que forem mais interessantes do ponto de vista local”.
Na visão dele, o “segundo passo” de Kassab consiste em sinalizar “para os outros partidos de centro, centro-direita, que ao acoplarem os seus partidos, as suas legendas, ao PSD, ao projeto presidencial do PSD, [e que] eles podem fazer a mesma coisa”.
“Vocês podem vir, apoiem aqui o candidato do PSD, numa mão eu vou fazer muitos ajustes locais, a gente vai fazer composições para eleições para Senado, para governo estadual, etc. Na outra mão, eu não vou exigir que você apoie o meu candidato do PSD [à Presidência]”.
“Você pode fazer o que você quiser no seu estado. E aí, no segundo turno, no eventual segundo turno, você também está livre para escolher aquela opção que você acha que é mais viável, que é melhor para você”, prosseguiu o cientista político, no programa do jornalista Claudio Dantas.
Barreto afirmou que Kassab “criou uma maneira dos partidos não se alinharem no primeiro turno, deixarem essa decisão para o segundo, e ficarem livres para fazer as composições que quiserem nos estados”.
Para o cientista político, essa estratégia “soa como música para quase todos os partidos do Centrão” e está sendo facilitada por dois movimentos: “O primeiro é uma tentativa do PL de lançar chapa pura em todos os estados” e o segundo é a “falta de confiança que o PT inspira nos aliados”.

