Deputados de esquerda criam narrativas para questionar ação da polícia que desarticulou facção criminosa
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Brasil

Deputados de esquerda criam narrativas para questionar ação da polícia que desarticulou facção criminosa

Megaoperação no Rio de Janeiro teve cerca de 2.500 policiais Foto: Mauro Pimentel/AFP/O Tempo
Megaoperação no Rio de Janeiro teve cerca de 2.500 policiais Foto: Mauro Pimentel/AFP/O Tempo

Compartilhe em

Foto do autor

Por Redação

Segundo investigação policial, houve manipulação de cenas, e governador defende forças de segurança

Depois da megaoperação contra o Comando Vermelho, um grupo de deputados de partidos de esquerda vai ao Rio nesta quinta-feira (30) para acompanhar os desdobramentos da ação.

✅ Siga o canal do Claudio Dantas no WhatsApp

A operação, considerada a mais letal da história do estado, é, no entanto, reflexo de uma série de ações equivocadas por parte do poder público, que começaram há décadas e se intensificaram nos últimos anos após decisões do Supremo Tribunal Federal (STF).

A comitiva é composta por deputados do PT, PSOL e PCdoB. A deputada Talíria Petrone (PSOL-RJ) disse que a programação inclui visita in loco ao Complexo da Penha, ao Alemão e ao IML (Instituto Médico Legal), além de encontros com entidades da sociedade civil. Na sexta-feira, há possibilidade de conversa com familiares das vítimas.

A estratégia de evitar ações policiais nas favelas, implantada ainda nos anos 1980 pelo então governador Leonel Brizola, acabou afastando o poder público desses territórios.

Com a ausência do Estado, o espaço foi ocupado pelo Comando Vermelho, que se fortaleceu e abriu caminho para o surgimento de outras facções criminosas.

Entre junho de 2020 e abril deste ano, o STF, por meio da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 635, chamada de “ADPF das Favelas“, definiu diversas limitações à atuação policial nas comunidades do Rio de Janeiro, reproduzindo, na prática, a política de não intervenção iniciada por Brizola.

Polícia prende criminosos durante megaoperação no Rio de Janeiro Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Polícia prende criminosos durante megaoperação no Rio de Janeiro Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Os criminosos estão cada vez mais armados, com verdadeiros armamentos de guerra, e recebem inclusive traficantes de outras cidades e estados para continuar comandando o crime em suas regiões de origem.

O resultado desse fortalecimento do crime foi a presença de mais de 70 corpos encontrados pelos próprios moradores e levados à Praça São Lucas, no Complexo da Penha.

A retirada dos corpos da praça foi realizada com rabecões da Defesa Civil, conduzidos por bombeiros militares.

A Polícia Civil abriu inquérito para investigar quem retirou os corpos da mata. As pessoas serão investigadas por fraude processual por supostamente terem retirado roupas camufladas de criminosos, informou o secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro, Felipe Curi.

O IML foi fechado hoje para receber somente os corpos das vítimas da operação. Segundo a polícia, todos os outros corpos que precisarem passar por necropsia no Rio serão levados para o IML de Niterói.

A Polícia Civil compartilhou nas redes sociais uma mensagem direta de combate ao crime:

O Rio precisa escolher: ficar do lado do caos ou do lado de quem protege. As polícias não são o inimigo. São o escudo da sociedade. E hoje, o Estado provou que continua sendo o lado mais forte.

Escreva seu e-mail para receber bastidores e notícias exclusivas

Não fazemos spam! Leia nossa política de privacidade para mais informações.

Publicidade