Segundo investigação policial, houve manipulação de cenas, e governador defende forças de segurança
Depois da megaoperação contra o Comando Vermelho, um grupo de deputados de partidos de esquerda vai ao Rio nesta quinta-feira (30) para acompanhar os desdobramentos da ação.
A operação, considerada a mais letal da história do estado, é, no entanto, reflexo de uma série de ações equivocadas por parte do poder público, que começaram há décadas e se intensificaram nos últimos anos após decisões do Supremo Tribunal Federal (STF).
A comitiva é composta por deputados do PT, PSOL e PCdoB. A deputada Talíria Petrone (PSOL-RJ) disse que a programação inclui visita in loco ao Complexo da Penha, ao Alemão e ao IML (Instituto Médico Legal), além de encontros com entidades da sociedade civil. Na sexta-feira, há possibilidade de conversa com familiares das vítimas.
A estratégia de evitar ações policiais nas favelas, implantada ainda nos anos 1980 pelo então governador Leonel Brizola, acabou afastando o poder público desses territórios.
Com a ausência do Estado, o espaço foi ocupado pelo Comando Vermelho, que se fortaleceu e abriu caminho para o surgimento de outras facções criminosas.
Entre junho de 2020 e abril deste ano, o STF, por meio da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 635, chamada de “ADPF das Favelas“, definiu diversas limitações à atuação policial nas comunidades do Rio de Janeiro, reproduzindo, na prática, a política de não intervenção iniciada por Brizola.

Os criminosos estão cada vez mais armados, com verdadeiros armamentos de guerra, e recebem inclusive traficantes de outras cidades e estados para continuar comandando o crime em suas regiões de origem.
O resultado desse fortalecimento do crime foi a presença de mais de 70 corpos encontrados pelos próprios moradores e levados à Praça São Lucas, no Complexo da Penha.
A retirada dos corpos da praça foi realizada com rabecões da Defesa Civil, conduzidos por bombeiros militares.
A Polícia Civil abriu inquérito para investigar quem retirou os corpos da mata. As pessoas serão investigadas por fraude processual por supostamente terem retirado roupas camufladas de criminosos, informou o secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro, Felipe Curi.
O IML foi fechado hoje para receber somente os corpos das vítimas da operação. Segundo a polícia, todos os outros corpos que precisarem passar por necropsia no Rio serão levados para o IML de Niterói.
A Polícia Civil compartilhou nas redes sociais uma mensagem direta de combate ao crime:
“O Rio precisa escolher: ficar do lado do caos ou do lado de quem protege. As polícias não são o inimigo. São o escudo da sociedade. E hoje, o Estado provou que continua sendo o lado mais forte.”
