Degaut lembra dificuldade histórica de derrotar guerrilhas na selva
O doutor em Segurança Internacional Marcos Degaut avaliou os recentes ataques na Colômbia como uma resposta de organizações criminosas à nova estratégia de pressão dos Estados Unidos na região. Ele destacou o risco do “efeito balão”, em que a repressão em um país leva ao deslocamento das atividades ilícitas para outros territórios.
“Inclusive, há um medo muito grande de que o Brasil possa se tornar um hub muito atraente para essas organizações criminosas, que sairiam fortalecidas e nós aí teremos uma pressão adicional sobre as forças de segurança”, disse.
Para o especialista, o episódio mostra uma contra-reação de grupos armados que tentam forçar governos locais a resistirem ao alinhamento com Trump.
“Uma das consequências esperadas dessa nova orientação estratégica norte-americana seria uma certa reação dessas organizações criminosas para pressionar os governos locais, como a Colômbia, a que não se aliem a essa nova orientação norte-americana. Isso parece ser exatamente uma ação que vai nesse sentido”, afirmou Degaut.
Degaut lembrou que as polícias e Forças Armadas brasileiras enfrentam sérias limitações orçamentárias, o que pode agravar o desafio no combate ao crime organizado caso haja um deslocamento de atividades criminosas para o país.
Outro ponto levantado por Degaut é a dificuldade geográfica de enfrentar guerrilhas na selva, realidade que marcou a Colômbia durante mais de quatro décadas de confrontos.
Degaut comparou a situação colombiana à da Venezuela, onde avalia que a queda de Nicolás Maduro não significaria necessariamente estabilidade.
“Ok, derrubar o regime é uma coisa, prender Maduro é uma coisa, mas você conseguir consolidar politicamente o país em um cenário em que guerrilhas e narcotraficantes permanecem é uma outra situação. E isso pode ter impactos negativos, sim, em toda a América do Sul”, concluiu.
Assista ao programa na íntegra:
