ONG de produtora de Dark Horse contrata auditoria para contrato de Wi-Fi
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Brasil

ONG de produtora de Dark Horse contrata auditoria para contrato de Wi-Fi

Instituto Conhecer Brasil afirma colaborar com investigações sobre contrato de R$ 108 milhões com a Prefeitura de São Paulo

Karina Gama, dona da produtora de 'Dark Horse', filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) - @theconnectfaith no Instagram
Karina Gama, dona da produtora de 'Dark Horse', filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) - @theconnectfaith no Instagram

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Por Redação

O Instituto Conhecer Brasil (ICB) informou que contratou uma auditoria independente e uma perícia especializada após ser alvo da Operação Wi-Fi Livre, deflagrada pela Polícia Civil de São Paulo nesta semana. A entidade é presidida pela empresária Karina Gama, também responsável pela produtora do filme “Dark Horse”, que retrata a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

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Em nota, o instituto afirmou que está colaborando com as investigações relacionadas ao contrato de R$ 108 milhões firmado com a Prefeitura de São Paulo para a instalação e manutenção de pontos de internet gratuita na capital paulista.

“A equipe jurídica do instituto contratou perícia e auditoria especializada para oferecer suporte técnico e jurídico a todo o processo de investigação”, declarou a entidade.

Segundo os investigadores, o inquérito apura possíveis irregularidades na execução do contrato firmado em 2024, incluindo suspeitas de sobrepreço e pagamentos realizados sem a correspondente prestação dos serviços contratados.

A Polícia Civil também investiga uma suposta conexão financeira entre o ICB e a produtora Go Up Entertainment, responsável pelo longa-metragem sobre Bolsonaro. Entre as linhas de apuração está a hipótese de que recursos públicos municipais possam ter sido utilizados, de forma indireta, para financiar a produção cinematográfica.

O comunicado divulgado pelo instituto não rebate diretamente essa suspeita. A entidade, porém, afirmou que cumpriu integralmente as determinações judiciais.

“Recebeu e cumpriu integralmente o mandado judicial expedido pelas autoridades competentes, colaborando de forma transparente, respeitosa e imediata com todos os procedimentos realizados”, informou.

O ICB também declarou que permanece à disposição das autoridades para apresentar documentos e prestar esclarecimentos considerados necessários para o andamento das investigações.

“Reafirmamos nossa convicção de que os procedimentos em curso permitirão demonstrar a regularidade das ações desenvolvidas pela instituição, bem como evidenciar a correta aplicação dos recursos e a inexistência de desvio de finalidade nos projetos executados”, afirmou a entidade.

De acordo com o instituto, a auditoria e a perícia terão a função de aprofundar a análise técnica dos contratos e contribuir para o esclarecimento das questões levantadas pelos órgãos de investigação.

A produtora e o instituto passaram a receber maior atenção após a divulgação de áudios nos quais o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aparece tratando da captação de recursos para o filme junto ao banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.

Segundo informações já divulgadas, o orçamento da produção gira em torno de R$ 134 milhões, dos quais cerca de R$ 61 milhões teriam sido efetivamente pagos.

Flávio Bolsonaro reconheceu ter participado das tratativas para obtenção de recursos, mas afirmou que se tratava de uma negociação privada voltada exclusivamente ao financiamento do projeto cinematográfico. Posteriormente, o senador também confirmou ter visitado Vorcaro após sua saída da primeira prisão, no fim do ano passado.

O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), nega irregularidades no contrato firmado com o instituto. Já parlamentares da esquerda passaram a pedir o aprofundamento das investigações após a operação policial.

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