Senador alega legalidade e transparência, mas evita responder sobre conflito de interesses
Uma empresa de segurança privada ligada ao senador Laércio Oliveira (PP-SE) recebeu R$ 656 mil em recursos públicos vindos de emendas da bancada federal de Sergipe.
A Franca Vigilância, sediada em Aracaju, tem Laércio como sócio desde 2016, ao lado de outros quatro empresários, entre eles seu segundo suplente, Antonio Fernando Pereira de Carvalho. O contrato com o Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs), assinado em 2019, foi prorrogado até outubro de 2025. O levantamento foi divulgado pelo portal UOL.
As emendas, direcionadas em 2022 e 2024, foram aprovadas de forma coletiva por deputados e senadores do estado. O dinheiro foi usado para custear segurança armada nos serviços do Dnocs, função que é realizada pela empresa do parlamentar.
O senador Alessandro Vieira (MDB-SE), que coordena a bancada, afirmou que o plano original previa investimentos em obras e compra de máquinas, não em segurança privada, e ressaltou que a escolha dos fornecedores foi feita pelo próprio Dnocs.
Questionado pelo UOL sobre o conflito de interesses, Laércio Oliveira disse atuar com “legalidade, transparência e ética”, sem responder diretamente sobre as contratações. Entre 2020 e 2021, sua empresa também recebeu R$ 111 mil por meio de emendas de relator, que são conhecidas como “orçamento secreto”, das quais as indicações não foram esclarecidas.
Eleito senador em 2022, após três mandatos na Câmara, Laércio acumula um patrimônio que saltou de R$ 1,1 milhão em 2018 para R$ 4,5 milhões em 2022, de acordo com sua declaração ao TSE.
