O presidente Lula (PT) conversou por telefone nesta quarta-feira (11) com o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, sobre estratégias de combate ao crime organizado na América Latina. O diálogo, realizado no Palácio da Alvorada, contou com a presença do embaixador Celso Amorim, assessor especial da Presidência.
Em nota, o Planalto informou que Lula confirmou participação na cúpula da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), marcada para 21 de março em Bogotá.
A agenda diplomática latino-americana do presidente se intensifica em meio às articulações do Brasil para evitar que os Estados Unidos classifiquem as facções Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas estrangeiras (FTO, na sigla em inglês).
Fontes do governo afirmam que Lula tem buscado diálogo com líderes de países que enfrentaram situações semelhantes, como o México, onde poderosos cartéis do narcotráfico já sofreram designações de terroristas estrangeiros. Na segunda-feira (9), o presidente conversou com a presidente do México, Claudia Sheinbaum, e nesta quarta com Petro.
Em contato com o senador norte-americano Marco Rubio no domingo (8), o chanceler Mauro Vieira pediu que os Estados Unidos aguardem o encontro entre Lula e Donald Trump para tratar da possível designação das facções brasileiras. A medida permitiria ao governo brasileiro apresentar suas ações de combate ao crime organizado.
Nos Estados Unidos, a classificação como organização terrorista estrangeira confere ao governo autoridade para aplicar sanções, bloquear ativos financeiros e realizar operações contra o grupo. Entre exemplos recentes, Trump incluiu o grupo venezuelano Tren de Aragua e seis cartéis mexicanos na lista de organizações terroristas.
Para receber a designação FTO, uma facção deve: ser estrangeira, envolver-se em atividades terroristas ou ter capacidade e intenção de fazê-lo, e representar ameaça à segurança de cidadãos ou aos interesses nacionais dos EUA. A classificação implica criminalização do apoio financeiro ou logístico, bloqueio de ativos e restrições a vistos de membros ou associados, além de dificultar financiamento internacional.
Ainda não há data confirmada para a visita de Lula à Casa Branca, mas o governo brasileiro busca alinhar o encontro para reforçar sua posição diante da comunidade internacional.
