Em discurso de fim de ano, Trump aplica o que deu certo para os democratas nas eleições de Nova York - Claudio Dantas
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
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Em discurso de fim de ano, Trump aplica o que deu certo para os democratas nas eleições de Nova York

EUA - Donald Trump, em pronunciamento de 17 de dezembro de 2025. Foto: Reprodução/The White House
Foto: Reprodução/The White House

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Por Eli Vieira

Jornalista e Biólogo

Na quarta à noite, o presidente americano Donald Trump fez um pronunciamento de fim de ano televisionado da Casa Branca, em que afirmou que seu governo estabilizou a inflação, reduziu preços de itens do dia a dia e controlou a fronteira em menos de um ano.

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No mesmo discurso, Trump comemorou a redução de 94% do tráfico de drogas ilegais via mar para dentro dos EUA, anunciou um pagamento comemorativo a militares e atribuiu a maior parte do que chamou de “virada” econômica às tarifas. “Minha palavra favorita: tarifas”, disse o mandatário.

Em alguns momentos, o discurso teve cara de comício: números específicos (ovos, peru de Ação de Graças, gasolina) e afirmações superlativas (“maior corte de impostos da história”, “boom econômico que o mundo nunca viu”), alternados com críticas aos democratas e ao governo Biden, encerrado há 11 meses.

Deu para perceber que Trump está prestando atenção no que funciona eleitoralmente. Abrindo a seção sobre economia, o presidente usou o mesmo termo favorito do novo prefeito de Nova York, o socialista Zohran Mamdani: affordability, isto é, acessibilidade de preço ou custo de vida. Também prometeu, como o último, uma ampla reforma de habitação, culpando a imigração descontrolada pelo encarecimento dos aluguéis.

Pagamento comemorativo a militares

O anúncio mais concreto foi o “dividendo do guerreiro”: US$ 1.776 para 1,45 milhão de integrantes do serviço militar. O valor é uma homenagem ao aniversário de 250 anos da Declaração da Independência, ratificada em 1776. Segundo Trump, o dinheiro seria pago antes do Natal e chegaria “a todo soldado”.

Inflação, ovos e “preços caindo rápido”

Como indicado por este portal, há grande chance de que a remoção das sanções Magnitsky contra Alexandre de Moraes nos EUA tenha algo a ver com o preço da carne, já que Joesley Batista da produtora de carne JBS foi um dos lobistas provavelmente envolvidos. A preocupação de Trump em conter a inflação recebeu grande destaque no discurso.

Trump disse que está derrubando “aqueles altos preços, e rápido”, citando queda de 33% no preço do peru de Ação de Graças em relação ao ano anterior e uma redução de 82% no preço dos ovos “desde março”. A afirmação foi usada como evidência de que “os salários estão subindo muito mais rápido que a inflação”.

Tarifas como solução universal e redução de impostos

Um dos temas centrais da mensagem foi a defesa de tarifas como ferramenta para arrecadação, proteção industrial e, indiretamente, alívio do custo de vida e geração e empregos. Trump vinculou o “sucesso” econômico ao endurecimento tarifário e prometeu que, no ano que vem, o país veria os resultados do “maior corte de impostos na história americana”.

A lógica política é clara: apresentar tarifas como receita e como alavanca para renegociar preços, inclusive no setor farmacêutico, ao qual Trump fez referência direta dizendo que a ameaça de tarifas bastava para reduzir preços de medicamentos antes produzidos em outros países. A lógica econômica é mais disputada: tarifas podem elevar custos de importados e insumos e, dependendo do desenho, pressionar preços ao consumidor, o que colide com a própria promessa de affordability.

Trump prometeu que o preço de medicamentos cairá “400%, 500% e até 600%” e disse ter usado a ameaça de tarifas para forçar a redução.

Ele também culpou o governo Obama e os democratas pelo encarecimento dos planos de saúde, afirmou que os preços cairão com “dinheiro voltando aos cidadãos” e acusou o partido adversário de manter preços altos por influência do lobby das seguradoras.

Energia: gasolina barata e 1.600 novas usinas

Trump atacou políticas de “energia verde”, que para ele são um “golpe dos democratas”. “Por anos, os democratas da esquerda radical exploraram o golpe da energia verde como uma desculpa para direcionar bilhões de dólares para seu enorme caixa dois, enquanto suas restrições de energia aumentaram drasticamente o preço da energia”, afirmou o líder, que também falou em usar o “bonito carvão”.

O presidente afirmou que as restrições sob Biden elevaram o preço da energia entre 30% e 100%. Em seguida, comemorou que a gasolina estaria em US$ 0,53 o litro em muitos estados e afirmou que 1.600 novas usinas de energia serão abertas nos próximos 12 meses.

Fed e juros

Trump disse que anunciará em breve o novo chefe do Federal Reserve (equivalente ao Banco Central, conhecido como Fed) e que escolherá “alguém que acredite em taxas menores de juros”. A fala sinaliza desejo de crédito mais barato para sustentar consumo e, sobretudo, aliviar custos de financiamento imobiliário. O Fed tem mandato próprio e decisões colegiadas, o que limita a tradução direta de promessa política em queda rápida de juros.

Habitação e imigração

Para justificar um plano “agressivo” de reforma habitacional no ano novo, Trump atribuiu parte importante da alta dos imóveis à imigração e afirmou que “mais de 60% do crescimento no mercado de aluguéis” veio de migrantes estrangeiros. Ele comemorou sucesso em estimular pela primeira vez em 50 anos a “migração reversa”, ou seja, pessoas “voltando” a seus países, e disse que isso deixaria “mais empregos para os americanos”.

Trump afirmou que “100% dos empregos criados” teriam sido no setor privado e que também 100% teriam ido para cidadãos nascidos nos EUA.

Continuando uma disputa contra setores influentes do Partido Democrata e a deputada Ilhan Omar, Trump criticou mais uma vez as políticas do estado do Minnesota com relação à sua comunidade de imigrantes da Somália. Os imigrantes somalianos estariam se aproveitando de programas de bem-estar social, não pagando sua devida parte em impostos e mandando “bilhões” para seu país natal.

Política externa

Trump afirmou ter resolvido oito guerras em dez meses, “destruído a ameaça nuclear do Irã”, encerrado a guerra em Gaza e trazido “pela primeira vez em 3.000 anos paz para o Oriente Médio”, além de assegurar a libertação de reféns “vivos e mortos”. A formulação reúne metas de política externa, reivindicações de resultado em linguagem simbólica e grandiosa.

Encerrando o discurso, Trump disse que seu país está “respeitado mais uma vez” e prometeu um “boom econômico” no próximo ano, mencionando a Copa do Mundo, as Olimpíadas e o 250º aniversário da Declaração de Independência como marcos de um “retorno” que, segundo ele, começou há um ano. Confira a conclusão completa do discurso, com um resumo dos temas, abaixo.

“Esta noite, depois de 11 meses, nossas fronteiras estão seguras, a inflação parou, salários subiram, preços caíram, nossa nação está forte. A América é respeitada e nosso país está de volta, mais forte que nunca. Estamos preparados para um boom econômico que o mundo nunca viu antes. Em breve, receberemos a Copa do Mundo e as Olimpíadas, ambas as quais eu consegui. Mas, mais importante que isso, celebraremos o 250º aniversário da Declaração da Independência. Não poderia haver um tributo mais adequado a este marco épico que completar o retorno da América que começou há apenas um ano. Quando o mundo olhar para nós no próximo ano, que veja uma nação que é leal a seus cidadãos, fiel a seus trabalhadores, confiante em sua identidade, certa de seu destino e a inveja de todo o globo. Somos respeitados mais uma vez, como nunca fomos antes. Para todos vocês, feliz Natal e feliz ano novo. Deus abençoe a todos.”

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