A suposta interferência de um ministro do STF na eleição para o Senado em 2026 e a ausência de reação por parte do Legislativo e da imprensa sugere uma normalização da atuação política do tribunal. Durante a ALive, programa apresentado por Claudio Dantas, o advogado constitucionalista André Marsiglia alertou para a gravidade da situação.
“Se ministros estão influenciando governadores a se candidatarem ao Senado para evitar uma maioria bolsonarista, imagina se esse STF não está preocupado com as próprias eleições e com o julgamento de Bolsonaro?!”, questionou.
Para Marsiglia, a atuação do STF ultrapassa os limites democráticos: “Isso fere de morte o princípio dos freios e contrapesos. Se o STF está preocupado com campanhas eleitorais, quem o está controlando?”.
O analista político Ary Alcântara ressaltou que o STF perdeu sua neutralidade: “O Judiciário não tem ideologia. Direito é direito. Mas quando ministros resolvem brincar de política, estão se sujeitando à vitória e à derrota, e isso é inadmissível para um Poder que deveria zelar pela Constituição”.
A cientista política e advogada Carol Sponza lembrou que a Lei da Magistratura é clara ao vedar a participação de ministros do STF em atividades político-partidárias. “A ironia é que essa interferência tem o objetivo de impedir que o Senado possa julgá-los em 2026.”
Segundo ela, a pressão sobre parlamentares e governadores é evidente. “Agora a gente tem a confirmação de tudo aquilo que já falamos: estão tentando tornar inelegíveis aqueles que podem atrapalhar os planos deles”, afirmou.
A discussão se intensificou após a declaração recente de Davi Alcolumbre sobre a necessidade de alteração da lei do impeachment, o que foi interpretado como uma pressão da Corte para blindá-la.
