Durigan chama pressão dos EUA de intimidação eleitoral
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Economia

Durigan chama pressão dos EUA de intimidação eleitoral

Ministro da Fazenda critica investigação comercial americana e diz que acusações contra o Brasil têm motivação política

Dario Durigan - Governo prepara Desenrola para informais e adimplentes
Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Compartilhe em

Foto do autor

Por Redação

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta segunda-feira (1º) que considera inaceitáveis as pressões exercidas pelos Estados Unidos contra o Brasil por meio da investigação comercial conduzida com base na Seção 301. Segundo ele, as medidas ocorrem em um contexto eleitoral e possuem motivação mais política do que técnica.

✅ Siga o canal do Claudio Dantas no WhatsApp

“É inaceitável que a gente receba esse tipo de pressão, de intimidação, perto do período eleitoral, a pretexto de dizer que está se preocupando com o Brasil ou com a higidez do nosso comércio. Porque quem está, de fato, preocupado somos nós mesmos com isso”, declarou em entrevista à rádio CBN.

A investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) avalia supostas práticas comerciais consideradas desleais pelo governo americano. O processo envolve temas como comércio digital, propriedade intelectual, tarifas sobre etanol, desmatamento ilegal e serviços de pagamento eletrônico, incluindo o Pix.

Segundo interlocutores envolvidos nas negociações, o resultado da apuração pode ser divulgado nos próximos dias e abrir caminho para novas tarifas sobre produtos brasileiros e outras medidas de retaliação comercial.

Durigan afirmou que o governo brasileiro tem participado de audiências e reuniões técnicas para contestar as alegações apresentadas por Washington.

“Ela tem um caráter político muito mais do que técnico, a sessão 301. A gente tem esclarecido e participamos das conferências e das audiências com os técnicos norte-americanos, e eles próprios reconhecem que isso já foi esclarecido outras vezes”, disse.

O ministro também questionou os fundamentos utilizados pelos Estados Unidos para justificar a investigação. Segundo ele, as acusações relacionadas ao Pix, ao comércio da Rua 25 de Março e ao desmatamento não encontram respaldo técnico.

Ainda durante a entrevista, Durigan associou a discussão à recente decisão americana de classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas estrangeiras. O ministro criticou a medida e mencionou a atuação de integrantes da família Bolsonaro junto a autoridades americanas.

“São argumentos (da seção 301) muito forçados, muito errados do ponto de vista do governo norte-americano. Em paralelo a isso, a gente vê a movimentação da família Bolsonaro com relação à designação de organizações que causam terror no Brasil, terror social, um terror de disrupção dos serviços públicos muitas vezes no país, mas que não tem a característica de montar ataque nos EUA, ferir a soberania dos EUA, uma forçação de barra sem fim”, afirmou.

Nos bastidores, integrantes do governo acompanham com atenção a conclusão da investigação. Segundo fontes envolvidas nas tratativas, a decisão americana pode produzir efeitos que vão além da imposição de tarifas e gerar impactos mais amplos na relação comercial entre os dois países.

Durigan afirmou que o governo continuará atuando para evitar prejuízos econômicos ao Brasil decorrentes das medidas discutidas pelos Estados Unidos.

Escreva seu e-mail para receber bastidores e notícias exclusivas

Não fazemos spam! Leia nossa política de privacidade para mais informações.

Publicidade