O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta segunda-feira (1º) que considera inaceitáveis as pressões exercidas pelos Estados Unidos contra o Brasil por meio da investigação comercial conduzida com base na Seção 301. Segundo ele, as medidas ocorrem em um contexto eleitoral e possuem motivação mais política do que técnica.
“É inaceitável que a gente receba esse tipo de pressão, de intimidação, perto do período eleitoral, a pretexto de dizer que está se preocupando com o Brasil ou com a higidez do nosso comércio. Porque quem está, de fato, preocupado somos nós mesmos com isso”, declarou em entrevista à rádio CBN.
A investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) avalia supostas práticas comerciais consideradas desleais pelo governo americano. O processo envolve temas como comércio digital, propriedade intelectual, tarifas sobre etanol, desmatamento ilegal e serviços de pagamento eletrônico, incluindo o Pix.
Segundo interlocutores envolvidos nas negociações, o resultado da apuração pode ser divulgado nos próximos dias e abrir caminho para novas tarifas sobre produtos brasileiros e outras medidas de retaliação comercial.
Durigan afirmou que o governo brasileiro tem participado de audiências e reuniões técnicas para contestar as alegações apresentadas por Washington.
“Ela tem um caráter político muito mais do que técnico, a sessão 301. A gente tem esclarecido e participamos das conferências e das audiências com os técnicos norte-americanos, e eles próprios reconhecem que isso já foi esclarecido outras vezes”, disse.
O ministro também questionou os fundamentos utilizados pelos Estados Unidos para justificar a investigação. Segundo ele, as acusações relacionadas ao Pix, ao comércio da Rua 25 de Março e ao desmatamento não encontram respaldo técnico.
Ainda durante a entrevista, Durigan associou a discussão à recente decisão americana de classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas estrangeiras. O ministro criticou a medida e mencionou a atuação de integrantes da família Bolsonaro junto a autoridades americanas.
“São argumentos (da seção 301) muito forçados, muito errados do ponto de vista do governo norte-americano. Em paralelo a isso, a gente vê a movimentação da família Bolsonaro com relação à designação de organizações que causam terror no Brasil, terror social, um terror de disrupção dos serviços públicos muitas vezes no país, mas que não tem a característica de montar ataque nos EUA, ferir a soberania dos EUA, uma forçação de barra sem fim”, afirmou.
Nos bastidores, integrantes do governo acompanham com atenção a conclusão da investigação. Segundo fontes envolvidas nas tratativas, a decisão americana pode produzir efeitos que vão além da imposição de tarifas e gerar impactos mais amplos na relação comercial entre os dois países.
Durigan afirmou que o governo continuará atuando para evitar prejuízos econômicos ao Brasil decorrentes das medidas discutidas pelos Estados Unidos.
