O doleiro Leonardo Meirelles e a contadora Meire Poza foram alvo da Operação Bazaar, deflagrada nesta quinta-feira (5) para apurar um esquema de corrupção dentro da Polícia Civil paulista.
Poza foi presa durante a operação. Já Meirelles é considerado foragido e ainda não foi localizado pelas autoridades. Ao todo, nove pessoas foram presas, entre empresários, advogados e policiais civis.
Os dois ficaram conhecidos durante a Lava Jato por atuarem na estrutura financeira ligada ao doleiro Alberto Youssef, apontado como operador do esquema de corrupção investigado na Petrobras e na BR Distribuidora.
Na época, Meirelles era apontado como responsável por remessas ilegais de dinheiro ao exterior e participou de empresas usadas para movimentar recursos investigados no esquema. Ele chegou a ser condenado por lavagem de dinheiro e, posteriormente, firmou acordo de delação premiada homologado pelo Supremo Tribunal Federal.
Segundo o acordo, o doleiro relatou ter realizado mais de quatro mil operações financeiras internacionais a pedido de Youssef, movimentando mais de US$ 140 milhões ligados ao pagamento de propinas.
Na nova investigação, conduzida pelo Ministério Público de São Paulo em conjunto com a Polícia Federal, Meirelles é apontado como integrante de um grupo que atuaria na lavagem de dinheiro de um esquema de corrupção envolvendo policiais civis.
De acordo com os investigadores, ele também teria pago propina a agentes para evitar investigações contra si no Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania. A apuração aponta ainda que, desde 2022, pagamentos teriam sido feitos, por meio de advogados, a policiais do Departamento Estadual de Investigações Criminais para barrar investigações relacionadas a crimes financeiros.
Meirelles também já era alvo da Operação Fractal, que revelou um esquema de fraudes bancárias milionárias e ocultação de patrimônio com uso de empresas de fachada e transações com criptomoedas.
No caso de Meire Poza, o Ministério Público afirma que ela teria pago propina aos policiais investigados para evitar procedimentos contra si dentro da Polícia Civil e também seria responsável pela contabilidade do grupo criminoso.
Conversas interceptadas pela investigação mostram Poza afirmando a um dos investigados que “já está tudo acertado com os caras lá dentro”, em referência a um procedimento no DPPC. O interlocutor citado é o empresário Robson Martins de Souza, apontado como dono de uma das empresas usadas no esquema de lavagem de dinheiro.
Em nota, a Polícia Civil do Estado de São Paulo informou que abriu apurações administrativas nas unidades onde foram cumpridos mandados da operação. A Corregedoria também fará verificações em atos de investigação conduzidos pelos agentes citados.
