A divulgação de milhares de arquivos ligados ao empresário e criminoso sexual condenado Jeffrey Epstein, liberados recentemente pelo governo dos Estados Unidos, revelou uma série de interações dele com mulheres brasileiras ao longo de vários anos. As conversas indicam relações pessoais próximas, envio de dinheiro e até a possibilidade de algumas terem desempenhado funções como assistentes.
Os registros incluem e-mails desde pelo menos 2006 — período anterior à primeira prisão do magnata. Nas mensagens, ele combina encontros, menciona viagens ao Brasil, pede apresentação de outras mulheres quando estaria no país e recebe fotografias. Em um dos diálogos, poucos dias antes de ser detido em 2008, avisa a uma interlocutora que iria para a cadeia. Parte dos documentos foi retirada do ar após identificação de possíveis vítimas e, por isso, os nomes foram preservados.
Reportagens anteriores já indicavam que um parceiro de Epstein discutia adquirir uma revista de moda no Brasil e afirmava ter contatos locais capazes de conseguir garotas. Há também relatos de vítimas dizendo que brasileiras frequentaram a mansão do empresário nos Estados Unidos.
Caso chega ao Ministério Público Federal
Uma troca de mensagens envolvendo uma mulher brasileira motivou investigação do Ministério Público Federal (MPF) em Natal (RN). O procurador-chefe Gilberto Barroso de Carvalho Júnior informou ter recebido dados sobre possível aliciamento de uma moradora da região para viajar aos Estados Unidos e manter relações com Epstein.
Os e-mails, de 2011, não comprovam crime nem indicam a idade da mulher, mas mostram tratativas para emissão de passaporte, planejamento da viagem e pedidos explícitos de fotos em roupas de banho e lingerie. O material foi encaminhado à Unidade Nacional de Enfrentamento ao Tráfico Internacional de Pessoas e ao Contrabando de Imigrantes.
Pedidos de apresentação e convites
Nos arquivos mais antigos, Epstein pede a uma modelo que o conecte a outra mulher possivelmente brasileira e solicita que ligue para ele em Nova York. Em outras mensagens, pergunta sobre amigas disponíveis em cidades que visitaria, como São Paulo ou Paris, e chega a ser tratado como “patrão” por uma interlocutora.
Há ainda convites para eventos do setor de moda com listas de modelos brasileiras e empresários. A troca termina com um aviso: ele afirma que iniciaria o cumprimento de pena na semana seguinte — mensagem enviada dois dias antes de admitir culpa por solicitar prostituição de menores.
Ajuda financeira e viagens
Em 2012, outra brasileira mantém conversas frequentes com o empresário, sugerindo proximidade pessoal. Ela agradece o apoio e demonstra afeto, enquanto ele oferece enviar dinheiro e pergunta por uma conta bancária para transferência. Em determinado momento, propõe buscá-la em avião particular para levá-la a uma ilha privada.
A mulher também pede adiantamentos e menciona dificuldades financeiras.
Dependência econômica e indicações
Entre 2009 e 2013, uma terceira brasileira aparece repetidamente nos arquivos. As mensagens mostram pedidos de recursos para despesas pessoais — incluindo cirurgia estética — e apresentação de amigas ao empresário, sem menção às idades.
Funcionários de Epstein coordenaram transferências, algumas em moeda brasileira, e registraram pagamentos para telefone celular, tratamentos de beleza e despesas familiares.
Carreira e investimentos
Em uma conversa de 2006, uma modelo pede desculpas por tê-lo desapontado e demonstra receio de ser dispensada. Ela menciona contato com o agente francês Jean-Luc Brunel, posteriormente acusado de tráfico de mulheres, e relata tentativa de emprego intermediada por ele.
Mais tarde, pede orientação financeira após ganhar dinheiro com trabalhos. Epstein sugere investir em imóvel no Brasil e solicita novas fotos.
Dívidas e cobranças
Em 2010, outra mulher relata dívida de US$ 26 mil e pede ajuda para continuar trabalhando e participar de desfile com modelos brasileiras. Epstein responde que ela deveria oferecer algo em troca das solicitações.
A interlocutora afirma ter dificuldade em apresentar garotas porque ele seria “exigente”. O empresário rebate dizendo que ela apenas fazia pedidos e não demonstrava reciprocidade.
