Na hierarquia do CV, Doca fica atrás apenas de Beira-Mar e Marcinho VP
Edgard Alves de Andrade, conhecido como “Doca” ou “Urso”, apontado como o principal chefe em liberdade do Comando Vermelho (CV) e principal alvo da megaoperação realizada ontem (28), continua foragido. Segundo a polícia do Rio, ao menos 70 narcoterroristas foram responsáveis pela sua segurança durante a ação.
✅ Siga o canal do Claudio Dantas no WhatsAppA operação, definida pelo governador Cláudio Castro como a “maior da história” do estado, mobilizou cerca de 2,5 mil agentes das forças estaduais de segurança. 60 traficantes foram mortos, mas o número pode ultrapassar 100. Durante a madrugada, moradores do Complexo da Penha levaram ao menos 54 corpos, encontrados em uma área de mata, para uma praça na Estrada José Rucas.
Nesse momento, o Disque Denúncia do Rio oferece uma recompensa de R$ 100 mil por informações que levem à prisão de Doca — o maior valor já oferecido, igual ao pago por informações sobre o paradeiro de Fernandinho Beira-Mar, principal líder do CV, em 2000.

Quem é Doca, o “narcoterrorista” mais procurado do Rio
Nascido na Paraíba e criado na Vila Cruzeiro, na Zona Norte do Rio, Doca é apontado pela polícia como a maior e mais violenta liderança do CV fora dos presídios. Na hierarquia da facção, estão acima dele apenas Marcinho VP, de quem é próximo, e Fernandinho Beira-Mar — ambos presos.
Segundo o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), Doca é a principal liderança da facção no Complexo da Penha e também exerce domínio sobre comunidades da Zona Oeste, como Gardênia Azul, César Maia e Juramento. Ele é quem determina as regras de circulação nas favelas.
O narcoterrorista é investigado por mais de 100 homicídios, incluindo execuções de crianças e desaparecimentos de moradores. De acordo com dados do Banco Nacional de Medidas Penais e Prisões (BNMP), há 34 mandados de prisão em aberto contra ele.

Um dos casos mais chocantes envolvendo Doca é o de três meninos que foram torturados e mortos em 2020, após pegarem duas gaiolas de passarinhos que pertenciam ao tio de um traficante. Doca teria autorizado, por celular, as torturas. Nenhum dos três sobreviveu.
Ele também é apontado como mandante da execução de três médicos na Zona Sudoeste do Rio, em outubro de 2023. As vítimas foram mortas por engano, após um dos profissionais ser confundido com um miliciano que seria o verdadeiro alvo do CV.

No começo do ano, o MP denunciou Doca e outros dois criminosos pelo ataque a uma delegacia em Duque de Caxias, ocorrido em 15 de fevereiro. De acordo com as investigações, ele teria ordenado a invasão da unidade. Os narcoterroristas respondem por tentativa de homicídio qualificado, dano qualificado, tortura e associação para o tráfico.
