Ministério da Justiça afirma que atendeu todos os 11 pedidos de renovação feitos pelo governo do Rio
A megaoperação que acontece nos complexos do Alemão e da Penha, é a mais letal da história do estado, segundo números do governo do Rio de Janeiro.
Pelo menos 64 pessoas morreram, incluindo quatro policiais, e 81 foram presas. O tráfico orquestrou represálias em diferentes pontos da cidade.
A ação ganhou repercussão internacional. Veículos estrangeiros destacaram a gravidade da operação e o clima de guerra na capital fluminense:
Claudio Castro sobre a megaoperação no Rio: “policiais enfrentam crime organizado sem apoio federal” foto:António Lacerda/EPA
The Guardian (Reino Unido) afirmou que o Rio está “em guerra” após a operação contra um dos grupos criminosos mais poderosos do país.
Público (Portugal) destacou que criminosos utilizaram drones para lançar bombas contra a polícia.
RFI (França) citou relatos de policiais fortemente armados e relembrou dados sobre a violência no Rio.
Reuters informou que a operação ocorre poucos dias antes de a cidade receber eventos que antecedem a COP30.
El País (Espanha) disse que o Rio sofreu intensos tiroteios e que cerca de 2.500 policiais foram mobilizados.
Clarín (Argentina) reportou que a megaoperação deixou cenas de guerra e relembrou o histórico do Comando Vermelho no estado.
La Nación (Argentina) afirmou que a operação visa conter a principal organização criminosa do estado, com uso de veículos blindados, helicópteros e drones.
O governador Cláudio Castro (PL) afirmou que solicitou apoio de blindados das Forças Armadas, mas não obteve autorização, pois não foi formalizado um pedido de Operação de Garantia da Lei e da Ordem (GLO). “O estado estava sozinho”, disse Castro, destacando os desafios enfrentados pelas forças estaduais diante do arsenal bélico do crime organizado.
Em contrapartida, o Ministério da Justiça e Segurança Pública divulgou nota afirmando que mantém a Força Nacional no Rio desde outubro de 2023, com atuação garantida até dezembro de 2025, e que todos os 11 pedidos de renovação feitos pelo governo do Rio foram atendidos, garantindo “total apoio” às forças estaduais e federais.
“As Polícias do Rio de Janeiro fizeram hoje a maior operação da história no combate ao crime organizado e o governo Lula não deu absolutamente nenhum apoio. Não há outro caminho para buscar a liberdade de milhões de pessoas que vivem sob a lei paralela desses marginais com tamanho poder bélico! Parabéns aos nossos policiais e ao governador Cláudio Castro!”, afirmou o senador Flavio Bolsonaro nesta terça-feira (28).
O deputado federal Hugo Motta (PL) lembrou que, sob sua presidência, a Câmara aprovou quase 30 medidas voltadas ao combate ao crime organizado. “Continuaremos focados em avançar nestas pautas“, afirmou.
A oposição, representada pelo deputado federal Zucco (PL-RS), classificou a ação como reflexo do “vácuo de comando e da omissão do governo federal” e ressaltou que “nenhum agente de segurança deveria enfrentar o tráfico sem respaldo político, sem apoio logístico e sem cobertura federal“.
Do lado do governo federal, a ministra Gleisi Hoffmann defendeu maior coordenação entre União e estados e a aprovação da PEC da Segurança Pública, que visa fortalecer a articulação no combate ao crime organizado. “Os violentos episódios desta terça-feira no Rio, com dezenas de mortes, inclusive de policiais, bloqueio de rodovias e ameaças à população, ressaltam a urgência do debate e aprovação da PEC da Segurança Pública no Congresso Nacional“, escreveu.
