Dino dá 5 dias para Viana explicar emendas à Lagoinha
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Justiça

Dino dá 5 dias para Viana explicar emendas à Lagoinha

Ação cita possível desvio de finalidade em emendas direcionadas a congregação que tem ligação com o Banco Master

Dino
Foto: Rosinei Coutinho/STF

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, determinou que o senador Carlos Viana (Podemos-MG) e o Senado Federal prestem esclarecimentos, em até cinco dias, sobre o envio de R$ 3,6 milhões em emendas parlamentares à Fundação Oasis.

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A decisão atende a petição apresentada pelos deputados Pastor Henrique Vieira (PSOL) e Rogério Correia (PT), que apontam possíveis irregularidades nos repasses feitos entre 2019 e 2025.

Segundo os parlamentares, os valores podem violar regras de transparência e rastreabilidade fixadas pelo STF para as chamadas “emendas Pix”.

Valores e destino dos recursos

De acordo com os autos, os repasses ocorreram em três momentos:

  • R$ 650,9 mil em 2025
  • R$ 1,5 milhão em 2019
  • R$ 1,47 milhão em 2023

A Fundação Oasis é ligada à Igreja Batista da Lagoinha, liderada pelo pastor André Valadão.

Fundamentação da decisão

No despacho, Dino determinou a abertura de prazo para manifestação com base na necessidade de garantir o cumprimento de decisão do STF que exige transparência no uso de recursos públicos.

O ministro também apontou a necessidade de esclarecer os “padrões em repasses” e a destinação final dos recursos.

A ação sustenta que a destinação pode configurar “violação à transparência e rastreabilidade das emendas” e aponta possível “desvio de finalidade” nos repasses.

Relação com investigações

A petição menciona que entidades ligadas à Lagoinha aparecem em investigações relacionadas ao caso Banco Master, que envolve o empresário Daniel Vorcaro e o ex-pastor Fabiano Zettel.

O documento também levanta possível conflito de interesses, ao apontar que Viana preside a CPMI do INSS, que apura fatos relacionados ao mesmo grupo citado na ação.

Posição do senador

Durante sessão da CPMI, Carlos Viana afirmou que os repasses seguiram a legislação.

“Eu não tenho a menor preocupação sobre as falas que estão aqui, porque tudo que eu faço, eu faço em cima do telhado e, graças a Deus, eu não respondo a um processo, porque tudo que eu faço é transparente com dinheiro público e responsabilidade”, declarou.

O Senado ainda deve se manifestar dentro do prazo estabelecido pelo Supremo.

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