Devedores contumazes: recuperação dos valores pode quadruplicar verba de segurança
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Economia

Recuperação dos valores de devedores contumazes pode quadruplicar verba de segurança

dívida-governo-consignados-IR- Devedores contumazes - Arcabouço fiscal faz dois anos fragilizado por exceções e fundos fora do limite, elevando dívida e risco para o Brasil.
Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

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Por Redação

PL dos devedores contumazes já foi aprovado no Senado e espera votação na Câmara

Valores inscritos na dívida ativa da União relativos a devedores contumazes poderiam quadruplicar o montante atualmente investido em segurança pública, caso fossem recuperados. É o que aponta o Instituto Combustível Legal (ICL), que fez um levantamento sobre o tema.

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Segundo o instituto, “a falta de uma legislação para acabar com o devedor contumaz gera forte impacto no investimento de segurança pública no país”, considerando que esses recursos desviados deveriam ser usados em saúde, educação e segurança pública.

O ICL cruzou os investimentos de segurança pública de 2024 com os valores inscritos na dívida ativa que seriam configurados como devedores contumazes, segundo o PLP 125/2022.

Os números indicam que a União tem a receber R$ 86 bilhões em PIS/Cofins, enquanto investiu R$ 21 bilhões em segurança no ano passado. No Rio de Janeiro, os devedores contumazes devem R$ 27,8 bilhões, quase o dobro dos R$ 16 bilhões investidos em segurança em 2024. Em São Paulo, a sonegação chega a R$ 39 bilhões, ante R$ 16,6 bilhões investidos.

A aprovação do PLP 125/2022, segundo o ICL, poderia ter evitado um acúmulo de sonegação e inadimplência de R$ 174,1 bilhões no país.

A proposta já foi aprovada por unanimidade no Senado e recebeu regime de urgência na Câmara, mas ainda não teve relator designado.

O levantamento por regiões mostra contraste entre inadimplência e investimentos em segurança:

  • Sudeste: R$ 68,9 bilhões em dívidas contumazes — 47% acima das despesas anuais de R$ 46,8 bilhões.

  • Sul: R$ 9,9 bilhões contra R$ 17,6 bilhões em gastos — 56% do orçamento regional.

  • Centro-Oeste: R$ 4,4 bilhões frente a R$ 11,9 bilhões — 37% do total anual.

  • Nordeste: R$ 3,9 bilhões ante R$ 27,5 bilhões — 14% do orçamento.

  • Norte: R$ 967 milhões contra R$ 14,8 bilhões — 6,5% do gasto regional.

São Paulo e Rio de Janeiro concentram os maiores valores em dívidas contumazes:

  • RJ: R$ 27,8 bilhões em dívidas contumazes, 1,7 vez o orçamento estadual de segurança.

  • SP: R$ 39 bilhões em dívidas, suficiente para quase dois anos e meio de gastos com segurança.

Recuperação de devedores contumazes pode quadruplicar verba de segurança, segundo levantamento do ICL sobre dívida ativa da União.
Foto: Divulgação/ICL

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