A Raízen, maior produtora mundial de açúcar e uma das principais distribuidoras de combustíveis do país, atravessa uma das piores crises de sua história e ainda não encontrou consenso sobre como se reestruturar.
Fontes próximas às negociações disseram à Reuters que uma proposta do BTG Pactual de dividir a empresa em duas unidades – separando a distribuição de combustíveis do restante do negócio – enfrenta forte resistência dos credores.
O plano do banco visava canalizar capital fresco diretamente para a operação de combustíveis, mas credores e acionistas preferem manter a Raízen íntegra, alegando que a divisão poderia atrasar a recuperação financeira e reduzir o valor total da empresa.
A Raízen reportou prejuízo líquido trimestral de R$ 15,6 bilhões e avisou sobre “relevante incerteza” quanto à sua capacidade de continuar operando normalmente. Sua dívida líquida alcançou R$ 55,3 bilhões em dezembro de 2025, resultado de investimentos pesados, impactos climáticos e incêndios em canaviais, que reduziram safras e o volume de moagem.
Pressão política
O tema chegou ao radar do presidente Lula (PT), que se reuniu em 2025 e novamente neste mês com representantes do BNDES e da Petrobras para discutir a situação da Raízen. Acionistas da empresa participaram dos encontros, mas, segundo fontes, o presidente não solicitou medidas específicas.
Apesar do interesse político, nem o BNDES nem a Petrobras demonstraram intenção de aportar capital. A estatal petrolífera está impedida de investir na distribuição de combustíveis após vender sua própria rede de postos, hoje operada pela Vibra Energia.
O desafio do capital
A Raízen precisaria levantar mais de R$ 20 bilhões para reforçar seu balanço, segundo fontes próximas às negociações. Até o momento, a Shell se mostrou disposta a aportar cerca de R$ 3,5 bilhões. A disputa sobre o desmembramento evidencia a tensão entre acionistas, credores e bancos sobre a melhor estratégia para manter a empresa operacional e reduzir riscos financeiros.
Analistas alertam que a demora em definir um plano de capitalização pode comprometer não apenas o desempenho da Raízen, mas também afetar o setor de etanol, açúcar e combustíveis no Brasil, em um momento de preços voláteis e insegurança no mercado global.
