Proposta de desmembramento da Raízen enfrenta resistência de credores
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Economia

Proposta de desmembramento da Raízen enfrenta resistência de credores

BTG sugere separar distribuição de combustíveis para injeção de capital

Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

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Por Redação

A Raízen, maior produtora mundial de açúcar e uma das principais distribuidoras de combustíveis do país, atravessa uma das piores crises de sua história e ainda não encontrou consenso sobre como se reestruturar.

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Fontes próximas às negociações disseram à Reuters que uma proposta do BTG Pactual de dividir a empresa em duas unidades – separando a distribuição de combustíveis do restante do negócio – enfrenta forte resistência dos credores.

O plano do banco visava canalizar capital fresco diretamente para a operação de combustíveis, mas credores e acionistas preferem manter a Raízen íntegra, alegando que a divisão poderia atrasar a recuperação financeira e reduzir o valor total da empresa.

A Raízen reportou prejuízo líquido trimestral de R$ 15,6 bilhões e avisou sobre “relevante incerteza” quanto à sua capacidade de continuar operando normalmente. Sua dívida líquida alcançou R$ 55,3 bilhões em dezembro de 2025, resultado de investimentos pesados, impactos climáticos e incêndios em canaviais, que reduziram safras e o volume de moagem.

Pressão política

O tema chegou ao radar do presidente Lula (PT), que se reuniu em 2025 e novamente neste mês com representantes do BNDES e da Petrobras para discutir a situação da Raízen. Acionistas da empresa participaram dos encontros, mas, segundo fontes, o presidente não solicitou medidas específicas.

Apesar do interesse político, nem o BNDES nem a Petrobras demonstraram intenção de aportar capital. A estatal petrolífera está impedida de investir na distribuição de combustíveis após vender sua própria rede de postos, hoje operada pela Vibra Energia.

O desafio do capital

A Raízen precisaria levantar mais de R$ 20 bilhões para reforçar seu balanço, segundo fontes próximas às negociações. Até o momento, a Shell se mostrou disposta a aportar cerca de R$ 3,5 bilhões. A disputa sobre o desmembramento evidencia a tensão entre acionistas, credores e bancos sobre a melhor estratégia para manter a empresa operacional e reduzir riscos financeiros.

Analistas alertam que a demora em definir um plano de capitalização pode comprometer não apenas o desempenho da Raízen, mas também afetar o setor de etanol, açúcar e combustíveis no Brasil, em um momento de preços voláteis e insegurança no mercado global.

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