Durante o programa ALive desta quarta-feira (11), o analista financeiro Hugo Queiroz afirmou que um dos principais motivos do pedido de recuperação extrajudicial da Raízen foi o “aspecto macroeconômico brasileiro”.
Segundo ele, o nível elevado de juros no país pressiona empresas altamente endividadas: “Não podemos esquecer que você precisa pagar o principal e os juros e tudo isso pago com o retorno da atividade, com o fluxo de caixa gerado pelo ativo da raiz”.
“Seja ele ali a distribuição de combustível, que é a bandeira Shell, seja ele ali pela parte de açúcar e etanol também fornecendo para a bandeira Shell distribuir e claro dentro das exportações”, continuou.
De acordo com Queiroz, além do ambiente macroeconômico, fatores ligados à “governança” e ao agro, que registrou resultados negativos nos últimos anos, também contribuíram para a situação da empresa: “O preço do açúcar veio muito para baixo, caiu forte. Essa dinâmica de preço de combustíveis muito influenciada pelo lado político, por termos uma estatal quase que monopolista nessa parte de refino, também gera ruído e risco para essa atividade da raíz”.
“É um somatório de ambiente econômico muito ruim, muito desafiador, parte de setor e gestão dentro da companhia também, por ter escolhido alguns projetos que não entregaram o que era esperado”, afirmou, ao mencionar como exemplo o “etanol 2G”.
“[…] É a maior dívida em termos de reestruturação e recuperação que o Brasil [já] observou, são R$ 65 bilhões. É muito dinheiro”, finalizou Queiroz.
A Raízen atua de forma integrada no setor de energia, com operações que incluem produção de açúcar, etanol e distribuição de combustíveis. A companhia foi criada em 2011 como uma “joint venture” entre a Cosan e a Shell.

