Desespero: 75% dos réus do 8 de Janeiro e familiares estão dispostos a anistiar Moraes - Claudio Dantas
Brasília, Sábado, 04 de julho de 2026
Brasil

Desespero: 75% dos réus do 8 de Janeiro e familiares estão dispostos a anistiar Moraes

Foto: Reprodução/ASFAV/Instagram
Foto: Reprodução/ASFAV/Instagram

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Por Eli Vieira

Jornalista e Biólogo

Uma pesquisa feita pela Associação dos Familiares e Vítimas de 8 de Janeiro (ASFAV) e publicada no domingo (14) buscou ouvi-los a respeito do modelo de anistia que estão dispostos a aceitar.

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Quando perguntados se estariam dispostos a aceitar uma anistia com a pré-condição de que inclua o ministro Alexandre de Moraes, relator dos casos que usou fichamentos ideológicos em seu processo decisório sobre as prisões preventivas, 75% responderam afirmativamente.

Para a ASFAV, perdoar Moraes significa, para os participantes, “um ato de renúncia dolorosa, quase de desespero, em troca da própria liberdade ou da solução do drama familiar”.

“Aceito qualquer coisa, desde que ele saia da cadeia”, disse uma pessoa sobre seu ente querido preso.

Crédito: Pesquisa ASFAV de 14 de setembro de 2025.

Quando foi perguntando se os investigados ou familiares aceitariam uma anistia ampla, geral e irrestrita, foi formada uma quase unanimidade: 96,7% foram a favor, o que ilustra a resistência maior a aceitar um perdão que inclua Moraes.

“Quem tem sangue nas mãos não pode ter direito a Anistia”, disse um participante. “Anistia completa, mesmo que Alexandre de Moraes também seja anistiado. O mal que está sendo feito a milhares de pessoas precisa ser cessado”, disse outro.

“Só quero sair desse pesadelo”, afirmou um terceiro.

Uma das quatro pessoas que se declararam contra a anistia ampla se explicou: “Perdão do quê, se nenhum desses crimes são reais? Eu sou a favor da anulação do processo, ou que possamos ir para a primeira instância e ter um julgamento real. Quem quebrou que pague”.

Uma maioria de 81,3% rejeitou um projeto que apenas reduza penas em vez de conceder anistia. Esta é a ideia que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que estaria sendo articulada junto aos ministros do Supremo. Quase 15% dos participantes disseram que considerariam a alternativa, a depender da redução, e somente cinco pessoas aceitaram.

Crédito: Pesquisa ASFAV de 14 de setembro de 2025.

“Não concordo com a redução de pena pois a vítima não fez nada [daquilo pelo qual] está sendo condenada”, disse um respondente.

Outra proposta alternativa à anistia ampla seria o perdão apenas para os crimes mais graves — 78% rejeitaram a ideia. Uma minoria substancial de 31,7% aceitariam uma anistia que liberte presos e permita retorno de refugiados, mesmo sem perdoar todos os crimes.

Características da amostra

A pesquisa da ASFAV ouviu 123 pessoas, entre as quais 75 eram familiares e 48 eram réus do 8 de Janeiro. A amostra é limitada, representando 6% dos casos. O levantamento foi feito entre 12 e 22 de maio e envolveu formulários eletrônicos.

Entre os réus ouvidos e aqueles cuja situação foi informada por um familiar, 65% já foram condenados, 13,8% estão presos e 73,2% respondem por suposto golpe de Estado ou abolição do Estado. A idade média dos réus é de 46 anos.

Entre os 33 acusados de crimes “menos graves”, 39,4% assinaram o acordo de não persecução penal.

Entre os 79 condenados com pena detalhada, 88,6% receberam pena de prisão entre 14 e 17 anos.

O bloqueio de bens é comum, atingindo dois terços dos réus. O valor somado das multas é estratosférico: R$ 75 milhões, segundo a ASFAV. Uma ampla maioria dos participantes, 82,9%, pensa que é inviável uma anistia que não inclua as multas, indenizações e dano moral coletivo.

“As prisões alongadas, as condenações desproporcionais e os bloqueios patrimoniais configuram um padrão de abusos que não encontra cessação”, afirma a entidade no relatório da pesquisa. Cabe “ao Congresso Nacional promovê-la”.

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