O deputado federal Ubiratan Sanderson (PL-RS) solicitou ao Tribunal de Contas da União (TCU) a abertura de procedimento de fiscalização para apurar a governança e o processo de transição em cargos estratégicos do IBGE. O pedido foi encaminhado ao presidente da Corte, ministro Vital do Rêgo Filho, após exonerações na área de Contas Nacionais, responsável pelo cálculo do Produto Interno Bruto (PIB).
No ofício, Sanderson destaca que a exoneração da coordenadora de Contas Nacionais, Rebeca Palis, ocorreu em 19 de janeiro de 2026, pouco mais de um mês antes da divulgação do PIB de 2025. O parlamentar afirma que, após a saída da coordenadora, “diversos técnicos estratégicos do setor pediram demissão”, o que resultou em “significativa redução do quadro técnico em um momento crítico para a produção de informações oficiais”.
O deputado ressalta que o setor de Contas Nacionais desempenha funções essenciais, como a revisão de metodologias de cálculo, a incorporação de novas bases de dados e a atualização das séries históricas. Segundo o documento, essas atividades seguem recomendações de organismos internacionais, como ONU, FMI, Banco Mundial e Eurostat. Para Sanderson, “alterações abruptas no quadro de pessoal, especialmente em cargos de chefia e técnicos estratégicos, podem impactar diretamente a continuidade dos trabalhos e comprometer a credibilidade das estatísticas produzidas”.
O ofício também menciona manifestação do Sindicato Nacional dos Trabalhadores em Fundações Públicas Federais de Geografia e Estatística (Assibge), que alertou para a necessidade de que mudanças priorizem a continuidade dos programas de trabalho e a preservação institucional. O próprio IBGE, segundo o parlamentar, reconheceu em nota a necessidade de um processo de transição para assegurar o cumprimento do cronograma de divulgações previsto para 2026.
Sanderson sustenta que as exonerações podem não ter observado princípios constitucionais da administração pública, como legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência. No texto, ele afirma que a exoneração de cargos estratégicos em período sensível “gera risco de interrupção de atividades estratégicas e atraso no cumprimento do cronograma de divulgação, com impactos diretos na economia e na confiança de investidores”.
Ao final, o deputado pede que o TCU instaure procedimento de fiscalização, solicite esclarecimentos formais ao IBGE, avalie as práticas de governança e, se necessário, emita recomendações preventivas para evitar que futuras mudanças comprometam a continuidade e a credibilidade das estatísticas oficiais
