Depois da repercussão negativa no evento de lançamento na última sexta-feira 12, o SBT News recebe hoje o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG). A entrevista foi uma demanda da cúpula da emissora para tentar conter a onda de cancelamento nas redes da direita, especialmente por causa do discurso de Alexandre de Moraes.
Segundo apurou este site, a ideia é mostrar que o canal a cabo está aberto a todos os espectros políticos, seguindo uma linha neutra e apartidária. Flávio Bolsonaro também participará hoje do Programa do Ratinho, no SBT. Mais cedo, o senador chamou o evento de sexta de “show de horrores”.
Na gravação, Flávio criticou o espaço dado a autoridades que “a título de defender a democracia acabaram com os pilares da democracia” e as acusou de “perseguir inocentes”, “agir fora da lei” e “blindar bandidos que roubaram aposentados do INSS”. Disse que foi convidado para o lançamento e depois desconvidado.
“Hoje eu entendi que foi Deus me protegendo para eu não ter que participar daquele vexame”, afirmou.
Mais cedo, Daniela Abravanel, presidente do SBT, soltou uma nota pública reclamando das críticas do público ao novo canal de notícias. Disse que a emissora tem sido reconhecida pela credibilidade do jornalismo e que o SBT News seguirá a carta de princípios deixada por Silvio Santos.
“Somos imparciais e isentos. Cabe a nós mostrarmos os fatos e, ao público, julgá-los”, disse.
Segundo ela, o lançamento do projeto, com a presença de Moraes, Lula e Tarcísio, “refletiu essa pluralidade e o respeito a todas as instituições”. “Tivemos representantes do Executivo, do Judiciário e do Legislativo.”
“Queremos entregar ao Brasil um jornalismo confiável, sem partido, sem lado. Um jornalismo que não terá viés, não terá algoritmo, não provocará divisão e raiva entre as partes, não será nutrido por inteligência artificial e dará ao público apenas a notícia e a verdade dos fatos.”
TEMPESTADE PERFEITA
Nos bastidores, executivos da emissora têm afirmado que não houve convite nominal a Alexandre de Moraes, mas ao Supremo, na pessoa de seu presidente. Edson Fachin, porém, informou na véspera que não poderia comparecer e enviou o vice-presidente da Corte.
Coincidentemente, saiu no mesmo dia a decisão de Donald Trump anulando a aplicação da Lei Magnitsky, o que acabou dando o tom do discurso do ministro e de Lula. Segundo ele, por questões de protocolo, o cerimonial foi assumido pela Presidência da República. “Foi a tempestade perfeita”, afirma um interlocutor envolvido no projeto.
