A equipe da delegada da Polícia Federal Janaína Palazzo, responsável pela condução da Operação Compliance Zero, se envolveu em novos atritos com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli, relator do inquérito que apura suspeitas de fraudes na tentativa de venda do Banco Master ao Banco Regional de Brasília (BRB).
Chefe da Delegacia de Inquéritos Especiais da PF no Distrito Federal, Janaína coordena as principais diligências do caso, incluindo pedidos de prisões preventivas, buscas e apreensões e a condução de depoimentos considerados sensíveis pela Corte.
A relação entre a PF e o gabinete do relator ficou pública após Toffoli afirmar, em decisão, que houve “falta de empenho” da corporação na deflagração da segunda fase da operação. Segundo o ministro, ordens autorizadas na última quarta-feira (7) só teriam sido cumpridas nesta manã (14), o que poderia comprometer as investigações.
Segundo apuração do O Globo, investigadores da PF afirmam que aguardavam a confirmação de todos os endereços necessários para o cumprimento das medidas. O último dado, segundo relatos, só teria sido obtido na noite de terça-feira (13). O pedido de prorrogação recebeu aval da Procuradoria-Geral da República (PGR) e foi acolhido pelo relator, com ressalvas.
Outro episódio de desgaste ocorreu em dezembro, durante o depoimento do CEO do Banco Master, Daniel Vorcaro, no STF. Na ocasião, Toffoli determinou que 82 perguntas fossem feitas ao investigado.
Janaína afirmou que não poderia formular questionamentos que não tivessem sido previamente preparados pela equipe policial. Ela concordou em submeter as perguntas apenas após registrar em ata que os questionamentos haviam sido elaborados pelo gabinete do relator.
Trajetória na Polícia Federal
Delegada de carreira, Janaína Palazzo construiu sua atuação em áreas estratégicas da Polícia Federal. Antes de assumir a delegacia em Brasília, passou por unidades operacionais da corporação e chefiou a Delegacia de Imigração da PF em Roraima, onde atuou em decisões administrativas e investigativas.
Em abril de 2023, foi nomeada para chefiar o Serviço de Operações de Repressão a Crimes Financeiros, ligado à Coordenação-Geral de Repressão à Corrupção e Crimes Financeiros. O setor é responsável por investigações envolvendo instituições bancárias, grandes empresas e esquemas financeiros de alto impacto.
