Decisão do STF pode eleger petista ao governo do Rio
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Política

Decisão do STF pode eleger petista ao governo do Rio

Ceciliano reúne apoio silencioso na Casa e seria beneficiado pelo formato defendido pela maioria do STF

Decisão do STF pode eleger petista ao governado do Rio
Rafael Wallace/Alerj -26.mai.2022

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

O STF formou maioria pelo modelo após o PSD questionar as regras aprovadas pela Alerj em fevereiro para a disputa. A decisão do plenário virtual foi paralisada por liminar do ministro Cristiano Zanin, que suspendeu a realização do pleito indireto. O caso vai a plenário presencial no dia 8 de abril.

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O deputado estadual André Ceciliano (PT) pode ser o próximo governador do Rio de Janeiro. A avaliação é de fontes da Assembleia Legislativa do Estado (Alerj) ouvidas por este site sob condição de anonimato. O cenário favorável ao petista depende da confirmação do formato apoiado pela maioria dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF): eleição indireta com voto secreto.

O voto secreto é o elemento central da estratégia em torno de Ceciliano. O formato permite que deputados da base que elegeu Cláudio Castro (PL) votem num nome de esquerda sem exposição pública. Fontes ouvidas pela reportagem afirmam que o petista é bem-visto na Alerj, casa que presidiu entre 2019 e 2023, e que parlamentares de centro e direita poderiam votar nele sem temer retaliações contra si ou contra prefeitos aliados.

O cenário é descrito nos bastidores como de “indefinição generalizada”. Interlocutores ouvidos pela reportagem afirmam que o voto secreto “modifica muita coisa”. A comparação feita é com a própria eleição de Rodrigo Bacellar para a presidência da Alerj — decidida em meio a confusão sobre o formato da votação. “Se o voto tivesse sido secreto, muito possivelmente muita gente ia votar no Jair Bittencourt, que era um cara mais alinhado” a Ceciliano, disse uma fonte. “O André Ceciliano é um cara que tira voto tanto da direita quanto da esquerda.”

A avaliação interna é direta: “Se for voto secreto parlamentar, a possibilidade é muito grande dele ser eleito.”

Outra fonte acrescenta que Ceciliano “tem uma habilidade política de agradar ambos os lados” e que sua filiação ao PT é vista como escolha pessoal, não como limitador: “Ele poderia estar em qualquer partido.”

O ex-presidente da Alerj como peça-chave

Na segunda-feira (23), Rodrigo Bacellar (União) se reuniu com ao menos 12 deputados que devem votar na eleição indireta — os mesmos que apoiaram Douglas Ruas (PL) na disputa pela presidência da Alerj, realizada na quinta (26). Bacellar havia sido afastado da presidência da Casa em dezembro pelo STF, alvo de operação da Polícia Federal por suposto vazamento de dados de ação anterior a pessoas com suspeita de ligação com o crime organizado. Na sexta (27), ele voltou a ser detido em desdobramento da mesma investigação.

A decisão estabelece que Bacellar passará a usar tornozeleira eletrônica e ficará afastado da presidência da Casa.
Imagem: Rodrigo Bacellar, ex-deputado estadual do Rio de Janeiro

Na votação posterior, anulada pela Justiça do Rio, Douglas Ruas obteve 45 dos 69 votos. Os 24 parlamentares da oposição que não o apoiaram, somados aos 12 ligados a Bacellar, formariam um bloco de 36 votos — suficiente para eleger Ceciliano.

Ruas lidera a disputa pela direita

Douglas Ruas (PL) é o principal adversário de Ceciliano. Filho do atual prefeito de São Gonçalo, o deputado em primeiro mandato conta com o apoio do senador Flávio Bolsonaro (PL) e do presidente nacional do partido, Valdemar da Costa Neto. Ele disputa tanto a eleição indireta prevista para abril quanto a eleição direta marcada para outubro.

Entre os conservadores, a avaliação é de cautela, mas não de derrota. Há quem afirme que o voto secreto “não muda muita coisa” e destaque a “grande maioria” conquistada por Ruas. Uma fonte ligada ao centro admitiu que o resultado representou “demonstração clara de força política” da direita.

Ceciliano deixou cargo para poder concorrer

Ceciliano comandava a Secretaria Especial de Assuntos Parlamentares da Presidência da República até o dia 20 de março. A saída do cargo nessa data cumpre a exigência de desincompatibilização prevista nas regras da eleição indireta. Caso eleito, ele governará o Rio até dezembro, em mandato-tampão. Será o primeiro petista no cargo desde Benedita da Silva, que ocupou o posto entre abril e dezembro de 2002.

As três frentes judiciais simultâneas

Guilherme Dall’Orto, assessor legislativo na Alerj, detalha a complexidade do cenário jurídico:

“A gente tá tendo três frentes judiciais simultâneas ali. São vários processos, mas três frentes. O terceiro ponto, que é o que tende a mudar tudo, é essa decisão que teve do Zanin na última semana sobre o pedido do PSD das eleições serem diretas. Por que isso tende a mudar tudo? Porque todo o cálculo que vinha sendo feito para a eleição indireta cai.”

Dall’Orto aponta que os candidatos viáveis mudam conforme o formato. “É mais difícil você trabalhar um nome desconhecido do povo, mais conhecido da Alerj, numa eleição direta. Então, por exemplo, a figura como André Ceciliano, que vinha como um dos fortes candidatos, ele tem muita pressão, muita força dentro da casa. Mas numa eleição direta, o André não tem tanta força.”

O assessor também chama atenção para uma consequência pouco debatida da decisão de Zanin. “O Zanin determinou que, enquanto não for julgado essa questão, se mantenha no cargo o presidente do TJ. Ele não falou para seguir a ordem sucessória.” Segundo Dall’Orto, isso altera o peso político da presidência da Alerj. “A presidência da Assembleia perdendo um pouco de importância nesse momento e, ao mesmo tempo, permite que outros candidatos venham à presença sem ideia.”

Zanin suspende eleições indiretas para governador do Rio e mantém presidente do TJ-RJ no cargo
Zanin suspendeu eleições indiretas para governador do Rio. Foto: STF

Sobre o ambiente geral, o especialista é direto. “A gente tá num cenário de instabilidade, o que é a pior coisa para os políticos que já estão aqui. Você não sabe com quem você negocia ou nem o que você negocia. A gente tá num cenário que a gente não sabe quem é o governador na semana que vem.”

“O momento é de cautela em muitas coisas e principalmente aguardar decisões judiciais. Os grupos vão se movendo nos bastidores, vão se movendo até junto ao Supremo para poder tentar influenciar um lado para o outro, mas o momento principal é cautela.”

O que define o desfecho

O STF julga em plenário presencial, no dia 8 de abril, dois processos sobre a vacância do governo fluminense: a ADI 7.942/RJ, relatada pelo ministro Luiz Fux, e a Reclamação 92.644/RJ, de relatoria de Zanin. Até lá, o presidente do Tribunal de Justiça do Rio, desembargador Ricardo Couto de Castro, permanece no cargo de governador em exercício, por determinação do próprio Zanin.

Uma decisão adicional do ministro reabriu o campo eleitoral: Zanin anulou a condenação do ex-governador Anthony Garotinho no âmbito da Operação Chequinho, tornando-o elegível novamente.

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