Segurados denunciam cobranças feitas direto na conta bancária
Depois do rombo bilionário envolvendo fraudes em descontos de associações e sindicatos nos benefícios do INSS, aposentados e pensionistas agora enfrentam o problema da cobrança de débitos não autorizados por seguradoras e clubes de benefícios. A diferença é que, desta vez, os descontos não são feitos diretamente na folha de pagamento, mas sim na conta bancária dos beneficiários, logo após o depósito do INSS.
As denúncias vêm crescendo nas redes e na Justiça, com relatos de segurados que descobriram descontos automáticos sem autorização. Dados do Conselho Nacional de Justiça revelam que apenas três empresas, o Grupo Aspecir (União Seguradora e Aspecir Previdência), Sebraseg/Binclub e Paulista Serviços, já acumulam mais de 45 mil processos judiciais pendentes por cobranças irregulares.
Procuradas pela Folha de S.Paulo, as empresas negaram qualquer irregularidade e, assim como os bancos envolvidos, afirmaram seguir as normas do Banco Central. O INSS disse que não tem acesso às movimentações feitas nas contas dos aposentados. Já a Susep (Superintendência de Seguros Privados) informou que está apurando os casos.
O esquema é diferente daquele que levou à operação Sem Desconto da Polícia Federal e da CGU, quando sindicatos descontavam valores diretamente da folha de pagamento dos beneficiários graças a convênios com o governo federal. Com a investigação, o INSS bloqueou todos os descontos associativos, sem que o aposentado precise solicitar o cancelamento.
Nos novos casos, no entanto, os aposentados têm de agir por conta própria, entrando em contato com as seguradoras ou clubes de benefícios para cancelar os débitos automáticos. Segundo as regras, qualquer desconto deveria ter sido previamente autorizado pelo beneficiário.
