Debate sobre adultização é infantil - Claudio Dantas
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
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Debate sobre adultização é infantil

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Por Claudio Dantas

Qual o problema de crianças e adolescentes desenvolverem atividades lucrativas? Pais de grandes esportistas, intelectuais ou artistas expõem seus filhos desde cedo a estímulos, assim como a ‘regimes de treinamento’, que os fazem ser os melhores quando chegam à fase adulta.

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Crianças bem educadas e treinadas têm muito mais chance de se tornarem adultos produtivos e realizados; desde que essas atividades ‘profissionais’ não lhes retirem a infância, não deturpem seu desenvolvimento intelectual e emocional; não lhes exponham ao risco de exploração física, psicológica ou emocional.

Só que a proteção da infância depende de uma rede de responsabilidades compartilhadas entre famílias, escolas, instituições públicas e também as plataformas digitais. O caso de Hytalo Santos revela o colapso dessa rede.

Pais permitiram a exposição de filhos em perfis abertos; a escola deixou de comunicar ausências de até 45 dias; funcionários conviveram com irregularidades sem denunciar; o Ministério Público do Trabalho, que já havia processado vínculo trabalhista em 2020, não encaminhou o caso à polícia; e a própria polícia levou meses até efetuar a prisão, iniciada apenas após denúncia anônima ao MPT/PB em 17 de dezembro de 2024.

As plataformas, por sua vez, tomaram medidas contra violações de regras já existentes: o TikTok baniu contas em 2023 e 2025, o YouTube suspendeu a monetização por violações e a Meta manteve sua política de não permitir monetização de perfis infantis. Embora não tenham sido suficientes, essas ações mostram que as providências foram mais céleres do que as de outras instituições.

Ainda assim, a resposta política tem sido atribuir a culpa quase que exclusivamente às redes. Hugo Motta já quer votar nesta semana projeto que pretende combater a ‘adultização’ com novas regras para remoção de conteúdo, sem decisão judicial, e responsabilizando as plataformas.

Para além da permanente tentativa de se regular o discurso online, a proposta é hipócrita por ineficaz, pois não reprime os crimes que ocorrem offline e nem enfrenta problemas reais expostos: negligência familiar, omissão escolar, morosidade institucional e falta de coordenação entre órgãos de controle e persecução penal.

Ninguém discorda de que é preciso proteger as crianças de superexposição com fins comerciais, além da sexualização precoce e outros desvios. Também ninguém discorda de que o ambiente online favorece práticas ilícitas e imorais; mas essas práticas só ganham as redes porque existe uma cultura de permissividade promovida especialmente pela esquerda woke.

Os agentes de promoção dessa cultura parecem agora tentar encobrir a erotização e a sexualização precoces — denunciados há tempos pela direita — com neologismos, como “adultização”. Como um sujeito como Hytalo Santos alcançou o sucesso, acumulando 20 milhões de seguidores, sem a omissão das autoridades e uma vasta rede de apoio?

Aliás, chamar de “adultização” o que Hytalo fez com Kamylinha desde os 12 anos é proteger a própria indústria de entretenimento criada em torno do influenciador; e que inclui blogs de fofocas, portais da grande mídia, programas de TV, redes de influenciadores, além de milhares de pais de outras crianças e adolescentes que o seguem.

São todos cúmplices.

Essa ‘nova onda conservadora’ da esquerda em torno do caso, com a oferta de Hytalo em sacrifício, é só uma forma de controle da narrativa, cortina de fumaça para desviar o foco de uma cultura permissiva promovida por muita gente poderosa e bancada por uma indústria multibilionária.

MC MENOR

Pegue o caso dos MCs do funk menores de idade, como MC Menor JP (16), Gabb MC (16), MC Xangai (16) e DJ Kotim (16). As letras de suas músicas e os clipes são exemplos claros de erotização e sexualização precoces, além de culto ao crime. Um dos maiores sucessos é “Menina de Vermelho”, clipe assistido mais de 110 milhões de vezes.

No pancadões do funk, não é diferente. São antigas e recorrentes as denúncias de meninas, de 10 a 14 anos, que bebem, se drogam e fazem sexo nos bailes; em alguns casos, há estupro coletivo. Pior é que tentativas de reprimir tais crimes são imediatamente rechaçadas por ONGs, artistas, políticos e pela mídia, que agora se faz de santa.

São todos parte da mesma indústria, que conta também com agências de modelos, gravadoras, clubes de futebol, redes de cosméticos, grifes de luxo. Estão todos em busca do talento ainda não descoberto e de um consumidor vulnerável, fácil de manipular e que consume por impulso.

Crianças vendem e crianças compram. E muito! Talvez, por isso, a esquerda woke promova a “adultização” de crianças e também a infantilização de adultos. Diz um provérbio africano que “é preciso uma aldeia para criar uma criança”. Uma sociedade de eternos adolescentes é alvo fácil para predadores.  

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