O assessor do governo dos Estados Unidos Darren Beattie ganhou destaque no debate político brasileiro após ter sua visita autorizada ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que cumpre pena na Papudinha, em Brasília. A autorização foi concedida pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, e o encontro está previsto para ocorrer no dia 18 de março.
Beattie ocupa atualmente um cargo estratégico no Departamento de Estado dos Estados Unidos, onde atua como assessor responsável por contribuir para a formulação da política externa do governo de Donald Trump em relação ao Brasil.
No site oficial da pasta, ele é descrito como uma das principais autoridades do órgão na área de diplomacia pública e defensor da promoção da liberdade de expressão como instrumento de atuação internacional.
Além de acompanhar temas relacionados ao Brasil, Beattie também exerce interinamente a chefia do Departamento de Assuntos Educacionais e Culturais e preside o Instituto de Paz dos Estados Unidos, entidade financiada pelo Congresso norte-americano dedicada à mediação de conflitos internacionais.
A trajetória do assessor na política americana começou durante o primeiro mandato de Trump, quando atuou como redator de discursos na Casa Branca. Sua passagem pelo governo, no entanto, foi interrompida em 2018 após vir à tona sua participação em uma conferência frequentada por nacionalistas brancos. À época, Beattie afirmou que esteve no evento por motivos acadêmicos e negou compartilhar dessas posições.
Nos anos seguintes, ele manteve influência no debate político conservador nos EUA e fundou o portal Revolver News, site que ganhou notoriedade por divulgar interpretações controversas sobre a invasão do Capitólio norte-americano em 6 de janeiro de 2021.
Beattie também acumula episódios polêmicos relacionados a declarações em redes sociais. Em publicações antigas, já apagadas, ele chegou a ridicularizar o atual secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmando que o mesmo teria “QI baixo”.
No debate político brasileiro, o assessor se tornou conhecido por críticas ao STF. Em julho de 2025, afirmou em uma rede social que Alexandre de Moraes seria “o principal arquiteto do complexo de censura e perseguição contra Bolsonaro e seus apoiadores”.
A declaração provocou reação diplomática do Ministério das Relações Exteriores do Brasil, que convocou representantes da embaixada norte-americana em Brasília para prestar esclarecimentos.
