Ministro cita Banco Central e culpa juros altos
A economia brasileira gerou 147,4 mil empregos formais em agosto de 2025, informou o Ministério do Trabalho e do Emprego. O saldo é resultado de 2,29 milhões de contratações e 2,09 milhões de demissões no mês.
O resultado representa uma queda de 38,3% na comparação com agosto do ano passado (quando foram criados 239 mil empregos) e marca o pior resultado para meses de agosto desde 2020, início da série histórica com a metodologia atual.
O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, reconheceu a desaceleração do mercado de trabalho formal. “Cresce menos, mas continua crescendo”, indicou. Ele atribuiu a baixa performance a fatores externos e internos, com foco nos juros.
“O impacto maior é dos juros”, concluiu o ministro, criticando a taxa básica de juros de 15% ao ano, mantida pelo Banco Central, a mais alta em quase 20 anos.

Marinho também citou um pequeno impacto do tarifaço imposto pelo presidente dos EUA, Donald Trump, em setores exportadores de Rio Grande do Sul e Santa Catarina, como calçados e madeira.
No acumulado de janeiro a agosto de 2025, o país criou 1,5 milhão de empregos formais. Embora o saldo seja positivo, ele representa uma queda de 13,8% em relação ao mesmo período de 2024 e é a menor geração para os oito primeiros meses do ano desde 2023.
Ao final de agosto, o Brasil totalizava 48,68 milhões de empregos com carteira assinada, um aumento em relação a julho e a agosto de 2024.
A criação de vagas em agosto foi positiva em 25 dos 27 estados. Em números absolutos, os destaques foram:
- São Paulo: 45.450 novas vagas.
- Rio de Janeiro: 16.128 novas vagas.
- Pernambuco: 12.692 novas vagas.
O maior número absoluto de vagas foi gerado no setor de Serviços e Comércio (+117.164), enquanto a Agropecuária foi o único setor a registrar perda de vagas no mês (-2.665).
Do total de postos gerados, 75,1% foram considerados típicos. Houve destaque para a criação de vagas para trabalhadores com jornada de até 30 horas por semana (principalmente na área de Educação) e aprendizes.
O salário médio de admissão no país foi de R$ 2.295,01 em agosto, registrando um aumento em comparação com os R$ 2.275,42 de agosto do ano passado.
Os dados oficiais mais recentes do IBGE indicam que a taxa de desemprego no Brasil foi de 5,6% no trimestre encerrado em julho, a menor taxa da série histórica iniciada em 2012.
