Empresário é citado por movimentações milionárias e sociedade na Vênus Consultoria; ele reafirma que atuou só como administrador financeiro
O empresário Rubens Oliveira Costa, que depõe agora na CPMI do INSS, negou ter sido sócio de Antônio Camilo, o “Careca do INSS”, e disse ter atuado apenas como administrador financeiro em quatro empresas ligadas ao investigado. “Jamais fui sócio do sr. Antônio Camilo… Atuei no papel de administrador financeiro e nada além disso”, afirmou. Ele relatou ter sido contratado como empregado, com salário, e que recebeu uma gratificação apenas nos quatro últimos meses pela “carga de trabalho”.
Relatórios de investigação da Polícia Federal apontam que Rubens movimentou cifras milionárias no esquema e realizou saques de alto valor em empresas associadas ao “Careca do INSS”. As apurações também o indicam como sócio da Venus Consultoria & Assessoria Empresarial S/A, companhia que teve participação de Alexandre Guimarães, ex-diretor do INSS, que se reuniu com o ministro da Previdência, Wolney Queiroz (PDT), durante a transição entre os governos de Jair Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva.
Defesa: “Jamais fui sócio”
Rubens diz desconhecer as razões pelas quais relatórios e inquéritos o apontam como sócio e atribui a confusão ao fato de ter figurado como administrador financeiro em estatutos sociais. “Repito: jamais fui sócio de nenhuma empresa ligada ao Sr. Antônio, nem de qualquer outra empresa citada nas investigações; jamais ordenei, cooperei ou participei conscientemente do pagamento de qualquer propina.” Segundo ele, deixou o cargo de administrador financeiro em 2024, antes de tomar conhecimento de inquéritos envolvendo seu nome.
Bloqueio de bens e situação pessoal
O empresário afirma que se apresenta desde o início às autoridades e permanece à disposição, mas que todas as suas contas foram bloqueadas. Diz não ter patrimônio, imóveis, veículos de luxo, dinheiro em espécie ou investimentos, apenas uma poupança de R$ 300 mil “amealhada ao longo de uma vida de trabalho”, hoje bloqueada pela Justiça Federal. Relata dificuldades para pagar o aluguel e o financiamento de um veículo simples e que conta com ajuda de amigos e familiares para custear a defesa.
Rubens declarou não ter intenção de atrapalhar as investigações, comprometeu-se a manter endereços e contatos atualizados “tanto nessa CPMI quanto perante os inquéritos” e afirmou não manter relação com Antônio Camilo “desde antes do início dos inquéritos”, por se sentir “lesado” pelas consequências do vínculo profissional. Para demonstrar boa-fé, disse colocar o passaporte à disposição “mesmo contrariando recomendação” de seus advogados.
