Presidente do BMG, Luiz Félix Cardamone, também foi convocado
A CPMI do INSS marcou para a próxima quinta-feira (29) depoimento do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. No mesmo dia, a comissão também ouvirá Luiz Félix Cardamone, presidente do Banco BMG.
O anúncio foi feito pelo senador Carlos Viana (Podemos-MG), presidente da comissão, nas redes sociais.
As presenças de Vorcaro e Cardamone Neto são obrigatórias, e os dois podem ser conduzidos coercitivamente caso não compareçam à audiência.
De acordo com Viana, a comissão tenta ainda reverter uma decisão provisória que dispensa Maurício Camisotti, um dos principais articuladores da “Farra do INSS”, de comparecer à CPMI. Disse ainda que o colegiado seguirá adotando medidas legais “para assegurar que ninguém se esconda atrás de decisões provisórias e que os fatos sejam plenamente esclarecidos diante do povo brasileiro”.
Investigações apontam que Camisotti controlava ao menos três entidades que, desde 2021, faturaram mais de R$ 1 bilhão com descontos não autorizados por beneficiários do INSS.
Master, BMG e os consignados
O Master, de Vorcaro, figura entre as instituições com maior número de reclamações na plataforma Consumidor.gov.br, de acordo com dados da Secretaria Nacional do Consumidor. As queixas estão relacionadas principalmente a crédito consignado, cartão consignado e reserva de margem consignável.
Metade do lucro do Master vinha do CredCesta, cartão de benefício consignado que surgiu na gestão de Rui Costa na Bahia, em 2018. O CredCesta foi criado pelo economista baiano Augusto Lima, que já foi sócio de Vorcaro no banco e é ligado a lideranças do PT.
Já o Banco BMG possui uma carteira de R$ 3,6 bilhões em empréstimos consignados, de acordo com dados do último trimestre de 2024. Desse total, “95% são referentes a aposentados e pensionistas do INSS”, segundo relatório da própria instituição.
Em 2025, o BMG liderou o ranking de reclamações de consumidores sobre irregularidades em empréstimos consignados vinculados ao INSS. O banco também já foi multado pela Secretaria Nacional do Consumidor em R$ 5,1 milhões por cadastrar empréstimos sem autorização nas contas de beneficiários.
Ainda sobre o BMG, um ex-gerente da instituição, Herbert Kirstersson Menocchi, é proprietário de uma empresa que recebeu R$ 15 milhões de associações envolvidas na “Farra do INSS”.
