Edson Araújo é acusado de ameaçar vice-presidente da comissão e de envolvimento com entidade que roubava aposentados
A CPMI do INSS aprovou nesta quinta-feira (13) a quebra dos sigilos fiscal e bancário do deputado estadual Edson Araújo (PSB-MA). O parlamentar, que foi alvo de operação da Polícia Federal, é acusado de ameaçar o vice-presidente da comissão, deputado federal Duarte Júnior (PSB-MA), e de receber valores de entidades investigadas por fraudes em benefícios previdenciários.
Além da quebra de sigilos, a comissão também aprovou a convocação de Araújo para depor. A data da oitiva ainda será definida.
O deputado estadual é vice-presidente da Confederação Brasileira dos Trabalhadores da Pesca e Aquicultura (CBPA), uma das entidades sob investigação da PF por descontos ilegais em aposentadorias e pensões. Ele também preside, de forma licenciada, a Federação das Colônias de Pescadores do Maranhão (Fecopema), responsável por acordos com o INSS relacionados ao seguro-defeso, benefício pago a pescadores durante o período de proibição da pesca.
Durante a reunião, Duarte Júnior comemorou a operação e relatou que a PF encontrou um cofre com dinheiro na casa de Araújo.
“Fiquei muito feliz, aliviado, de saber que a Polícia Federal, muito por força dessa CPMI, fez uma série de operações no estado do Maranhão. Dentre prisões e buscas e apreensões, uma das residências visitadas foi a do deputado estadual Edson Araújo, que me ameaçou na semana passada”, afirmou.
“Nessa residência, foi encontrado um cofre cheio de dinheiro, ainda não sei a quantidade de valores que ali estavam”, acrescentou.
Duarte relatou que foi ameaçado por mensagem de texto após questionar, em sessão da CPI, a ligação entre o presidente da CBPA, Abraão Lincoln Ferreira da Cruz, e Edson Araújo. Segundo ele, o deputado teria recebido cerca de R$ 5 milhões por meio da Fecopema e da CBPA.
O vice-presidente da CPI disse que, ao ser cobrado, Araújo respondeu: “Tô, por quê? Você vai ter que provar tudo que falou ou vai se arrepender”.
Depoimento do filho de ex-diretor do INSS
Na mesma sessão, o advogado Eric Fidelis, filho do ex-diretor de Benefícios do INSS André Fidelis, prestou depoimento à comissão. Ele é investigado por movimentações financeiras de R$ 10,4 milhões e por atuar em empresas que teriam repassado valores ao pai.
Em fala breve, Eric afirmou que “sempre atuou dentro dos princípios que regem a advocacia” e defendeu a importância da advocacia privada como função essencial à Justiça.
Pouco após o início de sua oitiva, o relator da CPI, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), confirmou a prisão de André Fidelis pela PF na nova fase da Operação Sem Desconto.
De acordo com as investigações, o ex-diretor teria recebido R$ 5,2 milhões de entidades que praticavam descontos ilegais em aposentadorias e mantinham contratos com o INSS.
