CPMI do INSS quebra sigilos e convoca deputado do MA alvo da PF
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Política

CPMI do INSS quebra sigilos e convoca deputado do MA alvo da PF

A CPMI que investiga as fraudes no INSS aprovou, nesta quinta-feira (6), um pedido de acareação entre Carlos Eduardo de Souza, conhecido como “Careca do INSS”, e o advogado Fernando Nunes. foto: Senado Federal

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

Edson Araújo é acusado de ameaçar vice-presidente da comissão e de envolvimento com entidade que roubava aposentados

A CPMI do INSS aprovou nesta quinta-feira (13) a quebra dos sigilos fiscal e bancário do deputado estadual Edson Araújo (PSB-MA). O parlamentar, que foi alvo de operação da Polícia Federal, é acusado de ameaçar o vice-presidente da comissão, deputado federal Duarte Júnior (PSB-MA), e de receber valores de entidades investigadas por fraudes em benefícios previdenciários.

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Além da quebra de sigilos, a comissão também aprovou a convocação de Araújo para depor. A data da oitiva ainda será definida.

O deputado estadual é vice-presidente da Confederação Brasileira dos Trabalhadores da Pesca e Aquicultura (CBPA), uma das entidades sob investigação da PF por descontos ilegais em aposentadorias e pensões. Ele também preside, de forma licenciada, a Federação das Colônias de Pescadores do Maranhão (Fecopema), responsável por acordos com o INSS relacionados ao seguro-defeso, benefício pago a pescadores durante o período de proibição da pesca.

Durante a reunião, Duarte Júnior comemorou a operação e relatou que a PF encontrou um cofre com dinheiro na casa de Araújo.

“Fiquei muito feliz, aliviado, de saber que a Polícia Federal, muito por força dessa CPMI, fez uma série de operações no estado do Maranhão. Dentre prisões e buscas e apreensões, uma das residências visitadas foi a do deputado estadual Edson Araújo, que me ameaçou na semana passada”, afirmou.

“Nessa residência, foi encontrado um cofre cheio de dinheiro, ainda não sei a quantidade de valores que ali estavam”, acrescentou.

Duarte relatou que foi ameaçado por mensagem de texto após questionar, em sessão da CPI, a ligação entre o presidente da CBPA, Abraão Lincoln Ferreira da Cruz, e Edson Araújo. Segundo ele, o deputado teria recebido cerca de R$ 5 milhões por meio da Fecopema e da CBPA.
O vice-presidente da CPI disse que, ao ser cobrado, Araújo respondeu: “Tô, por quê? Você vai ter que provar tudo que falou ou vai se arrepender”.

Depoimento do filho de ex-diretor do INSS

Na mesma sessão, o advogado Eric Fidelis, filho do ex-diretor de Benefícios do INSS André Fidelis, prestou depoimento à comissão. Ele é investigado por movimentações financeiras de R$ 10,4 milhões e por atuar em empresas que teriam repassado valores ao pai.

Em fala breve, Eric afirmou que “sempre atuou dentro dos princípios que regem a advocacia” e defendeu a importância da advocacia privada como função essencial à Justiça.
Pouco após o início de sua oitiva, o relator da CPI, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), confirmou a prisão de André Fidelis pela PF na nova fase da Operação Sem Desconto.

De acordo com as investigações, o ex-diretor teria recebido R$ 5,2 milhões de entidades que praticavam descontos ilegais em aposentadorias e mantinham contratos com o INSS.

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