Colegiado chama Zema, Vorcaro e CEOs de bancos
Na última sessão antes do recesso, a CPMI do INSS aprovou, nesta quinta-feira (4), convocações, rejeitou pedidos da base governista e autorizou quebras de sigilos em diferentes frentes da investigação. O colegiado analisou mais de 160 requerimentos. As oitivas aprovadas ocorrerão apenas em 2026. O presidente da comissão, senador Carlos Viana (Podemos-MG), afirmou que pedirá prorrogação de 60 dias para aprofundar os trabalhos.
Convocações aprovadas
Os parlamentares aprovaram a convocação do governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo). O pedido foi apresentado pelo deputado Rogério Correia (PT-MG), que afirmou que a Zema Financeira “oferece empréstimo consignado para aposentados e pensionistas do INSS, com descontos diretos na folha”.
A CPMI também aprovou a convocação do empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Um dos pedidos, apresentado pela senadora Damares Alves (Republicanos-DF), solicita esclarecimentos sobre:
- atuação da instituição na oferta de crédito consignado;
- eventuais falhas sistêmicas que permitiram irregularidades;
- conhecimento da diretoria sobre práticas fraudulentas;
- medidas de prevenção;
- responsabilidade institucional sobre prejuízos a segurados do INSS.
Foram aprovadas ainda as convocações dos presidentes dos seguintes bancos:
- André Luiz Calabro (Banco PAN),
- Everton Francisco da Rosa (Facta Financeira),
- Luis Felix Cardamone Neto (Banco BMG),
- Glauber Marques Correa (Banco Agibank).
Convocações rejeitadas
A CPMI rejeitou, por 19 votos a 11, a convocação do advogado-geral da União, Jorge Messias, indicado do presidente Lula ao STF. Deputados e senadores queriam que ele explicasse a atuação da AGU no enfrentamento ao esquema de descontos irregulares.
O colegiado também rejeitou a convocação de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. Foram 12 votos a favor e 19 contra. O pedido, apresentado pelo partido Novo, mencionava indícios financeiros que apontariam conexões entre operadores do esquema e pessoas próximas ao presidente da República.
Outros empresários ligados a instituições financeiras e bancos de concedem crédito consignado, entretanto, foram rejeitados. Nomes como Leila Pereira, presidente do Palmeiras e do Banco Crefisa, e Marcelo Kalim, do C6 Bank, estavam entre os possíveis convocados mas deixaram de ser votados.
Quebra de sigilos
A CPMI aprovou a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico de Daniel Vorcaro. O pedido, de autoria da senadora Damares Alves, autoriza ainda a obtenção de dados em plataformas como Meta, WhatsApp, Google, Telegram, Apple, Twitter e TikTok.
O colegiado também derrubou os sigilos bancário e fiscal de:
- Leonardo José Rolim Guimarães, ex-presidente do INSS — pedido feito pelo deputado Paulo Pimenta (PT-RS), que citou indícios de envolvimento de José Carlos Oliveira, nomeado por Rolim, no esquema de descontos associativos;
- Anderson Ladeira Viana, ex-gerente do Banco BMG — o relator Alfredo Gaspar (União-AL) argumentou que a medida é necessária para rastrear movimentações financeiras atípicas e verificar compatibilidade entre rendimentos e patrimônio.
O prazo para que a CPMI conclua os trabalhos se encerra em março de 2026, mas o presidente do colegiado afirmou que solicitará prorrogação para garantir novas oitivas e ampliação das investigações.
