Relator de CPI vê indícios de lavagem de dinheiro em contrato de esposa de Moraes
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Política

Relator de CPI vê indícios de lavagem de dinheiro em contrato de esposa de Moraes

Relator pede convocação e quebra de sigilos após contrato de R$ 129 milhões com o Banco Master

A iniciativa está ligada a um contrato de R$ 129 milhões firmado entre o Banco Master e o escritório de advocacia da advogada. Foto: Andressa Anholete/Agência Senado

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Por Redação

O relator da CPI do Crime Organizado no Senado, Alessandro Vieira (MDB-SE), apresentou requerimentos para a quebra dos sigilos bancário, fiscal, telefônico e telemático da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes.

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A iniciativa está ligada a um contrato de R$ 129 milhões firmado entre o Banco Master e o escritório de advocacia da advogada.

Segundo o senador, há “indícios consistentes” de que o acordo possa estar associado a um esquema de lavagem de dinheiro envolvendo organizações criminosas. Os pedidos foram protocolados na segunda-feira (2) e ainda dependem da aprovação da maioria dos 11 integrantes da comissão.

A próxima reunião do colegiado está prevista para quarta-feira (11).

No requerimento, Vieira afirma que os valores pagos pelos serviços advocatícios fogem dos parâmetros usuais do mercado. Para ele, o montante “apresenta uma desproporção evidente em relação ao tipo de serviço contratado” e “não encontra paralelo na prática comum do setor jurídico”.

O senador também relaciona o caso às investigações da Operação Carbono Oculto, que apura esquemas de lavagem de dinheiro no mercado de combustíveis e no sistema financeiro. De acordo com o documento, as apurações apontam que o Banco Master teria sido abastecido com recursos oriundos de fraudes e do tráfico de drogas, atribuídos ao Primeiro Comando da Capital (PCC).

Para Vieira, há suspeitas de que os pagamentos ao escritório “não correspondam a receita operacional legítima”, mas possam representar “recursos de origem ilícita inseridos no sistema financeiro”. Ele sustenta que, em tese, a operação pode caracterizar o crime de lavagem de dinheiro.

Caso o requerimento seja aprovado, Viviane Barci de Moraes será convocada a depor. Por se tratar de convocação, o comparecimento será obrigatório.

O relator também pediu a quebra de sigilos do escritório Barci e Barci, aberto em setembro de 2025, pouco antes da liquidação do Banco Master pelo Banco Central. Segundo Vieira, a criação da empresa nesse período “levanta suspeitas de blindagem patrimonial ou de redirecionamento de recursos”.

Outro foco da CPI é o Lex Instituto de Estudos Jurídicos, ligado à família Moraes. Embora registrado como entidade de treinamento profissional, o instituto possui imóveis de alto padrão e veículos de luxo. Para o senador, a estrutura patrimonial “é incompatível com a atividade econômica declarada”.

Vieira afirma ainda que a aquisição de bens imóveis por entidades desse perfil pode indicar a fase final de esquemas de lavagem de dinheiro, quando “valores ilícitos são convertidos em patrimônio com aparência de legalidade”.

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