O relator da CPI do Crime Organizado no Senado, Alessandro Vieira (MDB-SE), apresentou requerimentos para a quebra dos sigilos bancário, fiscal, telefônico e telemático da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes.
A iniciativa está ligada a um contrato de R$ 129 milhões firmado entre o Banco Master e o escritório de advocacia da advogada.
Segundo o senador, há “indícios consistentes” de que o acordo possa estar associado a um esquema de lavagem de dinheiro envolvendo organizações criminosas. Os pedidos foram protocolados na segunda-feira (2) e ainda dependem da aprovação da maioria dos 11 integrantes da comissão.
A próxima reunião do colegiado está prevista para quarta-feira (11).
No requerimento, Vieira afirma que os valores pagos pelos serviços advocatícios fogem dos parâmetros usuais do mercado. Para ele, o montante “apresenta uma desproporção evidente em relação ao tipo de serviço contratado” e “não encontra paralelo na prática comum do setor jurídico”.
O senador também relaciona o caso às investigações da Operação Carbono Oculto, que apura esquemas de lavagem de dinheiro no mercado de combustíveis e no sistema financeiro. De acordo com o documento, as apurações apontam que o Banco Master teria sido abastecido com recursos oriundos de fraudes e do tráfico de drogas, atribuídos ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
Para Vieira, há suspeitas de que os pagamentos ao escritório “não correspondam a receita operacional legítima”, mas possam representar “recursos de origem ilícita inseridos no sistema financeiro”. Ele sustenta que, em tese, a operação pode caracterizar o crime de lavagem de dinheiro.
Caso o requerimento seja aprovado, Viviane Barci de Moraes será convocada a depor. Por se tratar de convocação, o comparecimento será obrigatório.
O relator também pediu a quebra de sigilos do escritório Barci e Barci, aberto em setembro de 2025, pouco antes da liquidação do Banco Master pelo Banco Central. Segundo Vieira, a criação da empresa nesse período “levanta suspeitas de blindagem patrimonial ou de redirecionamento de recursos”.
Outro foco da CPI é o Lex Instituto de Estudos Jurídicos, ligado à família Moraes. Embora registrado como entidade de treinamento profissional, o instituto possui imóveis de alto padrão e veículos de luxo. Para o senador, a estrutura patrimonial “é incompatível com a atividade econômica declarada”.
Vieira afirma ainda que a aquisição de bens imóveis por entidades desse perfil pode indicar a fase final de esquemas de lavagem de dinheiro, quando “valores ilícitos são convertidos em patrimônio com aparência de legalidade”.
