Petista Fabiano Contarato é o presidente; emedebista Alessandro Vieira fica como relator
A CPI do Crime Organizado foi instalada nesta terça-feira (4) no Senado Federal, em meio à disputa entre governo e oposição pelo comando do colegiado. O senador Fabiano Contarato (PT-ES) foi eleito presidente, enquanto o senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS) assumiu a vice-presidência, após acordo entre os blocos. O relator será Alessandro Vieira (MDB-SE), autor do requerimento que criou a comissão.
A oposição articulava o nome de Mourão para presidir a CPI, enquanto a base governista defendia Contarato. A eleição consolidou a composição da mesa e abriu os trabalhos de investigação sobre facções criminosas, milícias e lavagem de dinheiro no país.

Durante a sessão, Hamilton Mourão ressaltou o caráter político da comissão e defendeu que o Senado enfrente o avanço do narcotráfico. O senador alertou para o risco de “mexicanização” do crime organizado no Brasil.
“Há muito tempo eu tenho alertado para aquilo que eu chamo da mexicanização do crime organizado aqui no Brasil, com a evolução lenta e inexorável para nos tornarmos um narco-estado. Os nossos narco-terroristas hoje estão seguindo o mesmo processo que ocorreu na América Central.”

Mourão citou sua experiência como comandante de tropas em operações no Rio de Janeiro e defendeu que a CPI trate com seriedade a infiltração do crime nas estruturas do Estado.
“O narcotráfico do Rio de Janeiro hoje parte para cima da força policial e da força representada pelo Estado. A esquerda tem dificuldade em entender isso, em aceitar que o bandido não é um desprovido social, mas alguém que escolheu o caminho do crime.”
O vice-presidente da CPI propôs que o colegiado investigue o envolvimento de ONGs, a lavagem de dinheiro e a infiltração do crime organizado na política.
“Temos que mudar a forma de observar o trabalho das Forças Armadas, integrar esforços da segurança pública e reconhecer formalmente essas facções como organizações terroristas. Essa é a quarta onda terrorista mundial.”
A CPI terá 11 titulares e sete suplentes e vai investigar a estrutura, o financiamento e a expansão de grupos como o PCC, o Comando Vermelho e as milícias. O colegiado também analisará conexões internacionais, rotas de tráfico e infiltração de facções em órgãos públicos.
O senador Alessandro Vieira defendeu que os trabalhos resultem em propostas concretas de enfrentamento ao crime.
“A expectativa é de que a CPI consiga fazer um diagnóstico completo do funcionamento de facções e milícias, apontando fontes de financiamento, rotas e ações eficazes de combate.”
Com o comando dividido entre base e oposição, o colegiado deve se tornar um dos principais palcos de embate político no Congresso, com impacto direto nas articulações para as eleições de 2026.

Veja os integrantes confirmados na CPI
Titulares
- Alessandro Vieira (MDB-SE)
- Flávio Bolsonaro (PL-RJ)
- Sérgio Moro (União-PR)
- Jaques Wagner (PT-BA)
- Magno Malta (PL-ES)
- Rogério Carvalho (PT-SE)
- Otto Alencar (PSD-BA)
- Marcos do Val (Podemos-ES)
- Nelsinho Trad (PSD-MS)
- Jorge Kajuru (PSB-GO)
Suplentes
- Marcio Bittar (PL-AC)
- Zenaide Maia (PSD-RN)
- Eduardo Girão (Novo-CE)
- Fabiano Contarato (PT-ES)
- Randolfe Rodrigues (AP).
