A líder da oposição venezuelana, María Corina Machado, afirmou nesta quinta-feira (15) que entregou ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Republicano), a medalha do Prêmio Nobel da Paz durante uma reunião privada realizada na Casa Branca.
O encontro, que durou pouco mais de uma hora, foi o primeiro presencial entre os dois e ocorreu em meio à disputa política sobre o futuro da Venezuela após a captura do ex-ditador da Venezuela, Nicolás Maduro.
Ao falar com jornalistas após a reunião, Machado declarou que “apresentou ao presidente dos Estados Unidos a medalha do Prêmio Nobel da Paz” como um gesto de reconhecimento ao que classificou como o “compromisso singular” de Trump com a liberdade do povo venezuelano.
A opositora recorreu a uma referência histórica para explicar o gesto. “Duzentos anos atrás, o general Lafayette deu a Simón Bolívar uma medalha com a imagem de George Washington. Bolívar guardou a medalha pelo resto da vida”, afirmou. “Duzentos anos depois, o povo de Bolívar entrega uma medalha ao sucessor de Washington”, completou.
Machado foi laureada com o Prêmio Nobel da Paz em 2025 por sua atuação à frente da oposição ao regime de Maduro e pela defesa de eleições livres na Venezuela. Na semana passada, ela já havia declarado a intenção de “compartilhar” simbolicamente a honraria com Trump.
O Comitê Norueguês do Nobel, no entanto, reforçou que o prêmio é intransferível e pertence exclusivamente ao laureado.
O encontro ocorreu após a captura de Maduro por forças norte-americanas em Caracas, no início de janeiro. Desde então, o movimento liderado por Machado reivindica a vitória nas eleições presidenciais de 2024, consideradas contestadas por observadores internacionais, e se apresenta como representante legítima do país.
Apesar disso, Trump ainda não reconheceu formalmente Machado como chefe de governo. Para fins diplomáticos, os EUA seguem tratando Delcy Rodríguez, vice de Maduro, como autoridade interina da Venezuela.
